January 25th, 2003

rosas

regresso

Regresso ao pequeno mundo do muito. Trago-me nos olhos a saudade do outro mundo, mais despido e mais primeiro, o grande mundo do pouco. Um mundo de mãos vazias, que se estendem em esquinas verdes e húmidas, à procura do que não sabem que existe. Um mundo de olhos baixos ou duros, que fogem ou seduzem, conforme a temperatura do tráfico. Um mundo de ondas escuras e rasas, que floresce na mera abundância do que não tem valor, ainda quando a raiz e os dedos parecem dizer o contrário.
Um mundo assim tão cheio parece viver alheio à consciência de si, justificado por mentiras estranhas, nas quais finge acreditar apenas porque se pode ser feliz de todas as maneiras.
O mundo da cidade de antigamente, da cidade de ontem, da cidade de amanhã, que vive sem pressa por não ter presente.
rosas

não tenhas medo da voz

Não tenhas medo da voz:
Preto
A palavra que te pesa,
maldita,
é também a palavra que te salva
Procura-lhe a beleza
e nela encontras todo o sentido;
porque é na cor dos teus olhos
que descobres o esplendor do corpo