December 20th, 2002

rosas

ilhas

"As ilhas são como barcos permanentemente ancorados. Pisar uma é como avançar por uma prancha de embarque: assalta-nos a mesma sensação de um encanto suspenso – parece que nada de desagradável ou grosseiro nos pode acontecer" (Truman Capote)

Alguns dos meus lugares preferidos são ilhas. Até já tomei uma vez a resolução de só visitar ilhas, mas claro que é uma daquelas resoluções que nós tomamos por pura paixão, e que a nossa sensatez e a nossa racionalidade nunca se prestaram a levar até ao fim. Mas não me lembro de ter ido a uma ilha e não ter saído de lá com vontade de me mudar. Mesmo quando não gosto assim muito (ou seja, mesmo quando não fico profundamente apaixonado e a pensar que encontrei o meu lugar – a minha Ítaca, precisamente!), não deixo de me sentir absolutamente fascinado.

Ontem chegou o guia (da Lonely Planet) que eu tinha encomendado. Claro que saltei logo as páginas à procura da secção sobre a Ilha. De certa forma, foi como se já lá estivesse. Não sei se o fascínio das ilhas vem desta Ilha da minha infância. Duma certa noção de que o infinito mar à volta é, simultaneamente, a prisão e liberdade, o apelo para a partida e a tenaz da raiz.
Uma lagoa profunda de um azul uterino.
Um porto de mar aonde chega o som de um bodhrán.
O sol a prumo nas ruas labirínticas de uma medina.


Desde as vésperas da ida para o EUA, para ir passar lá 3 meses, que não me sentia tão... tão quê?, excitado?, ansioso?... Estou sempre a pensar no mesmo, sempre a antecipar os acontecimentos e os sentimentos e as emoções com que vou vivê-los. Eu gostava de, nestas ocasiões, manter o meu ar cool, detached, nonchalant, mas a verdade é que me sinto como aqueles miúdos que mal partem para uma longa viagem de automóvel, começam logo a perguntar "então quando é que chegamos?”