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Changing Lanes
rosas
innersmile
O maior interesse de Changing Lanes / Manobras Perigosas reside na originalidade do argumento: um thriller sem bons e maus, que coloca frente a frente dois homens normais que o acaso e as circunstância, tornaram inimigos mortais. E o truque que resulta está precisamente no facto de as duas personagens terem relevo psicológico (como o exige a natiureza do thriller), mas não terem uma dimensão moral, no sentido em que não há um bom e um mau. Assim, somos conduzidos através do filme ao sabor da maior ou menor malvadez de cada ataque e contra-ataque, bem como da maior ou menor simpatia que nos suscitam os efeitos devastadores que esses ataques produzem nas respectivas vítimas. Ou seja, cada um deles é um "bom homem", a atacar porque está acossado, até constatarmos na imensa crueldade que isso sognifica em relação ao outro, com a consequente inversão dos papeís de "bad guy / good guy".
Face a esta ausência de dimensão moral, outra coisa ressurge: a diferença do nível interpretativo dos dois protagonistas. Se Ben Affleck dá à sua personagem um "sopro emotivo", que a torna sempre demasiado linear e "legível", Samuel L. Jackson é, como habitualmente, brilhante, e à sua "nulidade" moral, Jackson acrescenta-lhe uma "ilegibilidade" que torna a personagem enigmática e misteriosa.
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