December 11th, 2002

rosas

agora que apagaste o candeeiro

agora que apagaste o candeeiro
cuja luz p'ra teus olhos transmudou
e deixaste abandonada no cinzeiro
a esperança que sempre me ajudou

agora que o teu carro já sumiu
na nebulosa curva da auto-estrada
e a canção de amor que já se ouviu
ressoa improvável no teu nada

agora que a palavra que deixaste
suspensa no meu quarto a flutuar
e os lençóis que com o corpo amarrotaste
desaparecem na máquina de lavar

do teu ombro só uma memória resta
e um conjunto de detritos que não presta