November 19th, 2002

rosas

projecto: o homem que inventa o passado

Outra noite mal-dormida. Felizmente, por volta das 4 da manhã, terminei a leitura. Não acontece muito frequentemente, mas acontece: um livro perturbar-me tanto que me tira o sono e me dá pesadelos, ou, pelo menos, uns sonhos muito complicados e perturbantes.

Lembrei-me da história de um homem que inventa um passado. Não para enganar os outros, ou para esconer alguma coisa, mas pura e simplesmente para poder ter um passado, uma referência histórica, qualquer coisa que lhe crie a ilusão, e a segurança, de haver um sítio de onde ele veio. Não que seja amnésico em relação ao seu passado, mas é um passado tão vago e distante, que não lhe dá amparo nenhum. De modo que ele resolve inventar um. Para todos s efeitos, passa a ter recordações dos anos 60, quando era fã dos The Beattles. Ou que apreciava o rock pogressivo dos Pink Floyd no início da década de 70. Ou que ouvia o rock puro dos The Clash, na altura do punk rock (até tinha tido uma edição autografada, comprada num leilão, do London Calling, mas alguém ficou com ela).
Então um dia, o seu verdadeiro passado regressou (e, entre outras coisas de que o homem se passou a lembrar, é que ele ouvia Marisol e Joselito nos anos 60, e Art Sullivan e Boney M nos anos 70).
Pergunto-me se esta história não será um pouco...?