November 17th, 2002

rosas

Spider

Na minha opinião, o melhor de Spider, é a forma como David Cronenberg estrutura o seu filme, que se vai construindo como uma verdadeira teia, emulando essa outra teia que Dennis Cleg vai tecendo na reconstrução do seu passado, ou, mais exactamente, na construção do puzzle que constitui a sua insanidade. Se algumas referências são menos subtis (o vidro partido em forma de teia, a letra aracnídea de DC), é no entanto na própria estrutura narrativa que Cronenberg estabelece a sua verdadeira estratégia da aranha. De certa forma, será um filme menor de Cronenberg, nisso decepcionando porventura alguns fãs, na medida em que a representação da "fractura", que constitui sempre o cerne dos seus filmes, é neste menos gráfica, ou, de qualquer forma, de menor impacto. Mas as marcas, e as opções, do realizador estão sempre presentes, e a sensação de estranheza, ou mesmo algum desconforto, que acompanha o visionamento dos filmes de Cronenberg mantém-se: não é fácil sermos confrontados com algumas das nossas mais profundas feridas.

Momento "especial" na vida deste LJ: desde ontem que o Pedro, um amigo da "vida real", que já sabia da sua existência (eXistenz, como noutro filme de Cronenberg), tem a morada, e por isso, pode vir cá espreitar. É a primeira vez que alguém faz este percurso, até agora só o percurso contrário tinha sido feito, e apenas uma vez. Por um lado, partilhar isto vem responder a uma certa necessidade de dar "lastro" a este diário; o seu carácter virtual torna-se um pouco sufocante face à intensidade de algumas coisas que eu partilho aqui, e à intensidade dos "nós" e dos "laços" que me ligam a alguns amigos do LJ. Por outro lado, eu pecador me confesso, há um inegável impulso narcísico, mas quem nunca cometeu o pecado da vaidade que atire o primeiro penedo!
(olá pá, estás aí?)