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Red Dragon
rosas
innersmile
Red Dragon, a "prequela" de O Silêncio dos Inocentes, procura mais a tensão sombria do filme de Jonathan Demme do que o delírio barroco do Hannibal de Ridley Scott. Seja como for, qualquer dos 2 filmes feitos na senda do sucesso de O Silêncio dos Inocentes vive quase exclusivamente da fascinante encarnação do mal que Anthony Hopkins conferiu à personagem de Hannibal Lecter.
Este filme de Bret Rattner tem a vantagem de o argumento procurar desenhar uma certa profundidade psicológica nas personagens, e de estabelecer uma correspondência milimétrica com O Silêncio dos Inocentes, o que sempre é um bodo aos fans 'die-hard' das aventuras de Lecter. E se o par Hopkins/Edward Norton não parece funcionar tão bem como o par que Hopkins estabeleceu com Jodie Foster (ou mesmo com Julianne Moore), já o par "romântico" do filme formado pelo vilão Ralph Fiennes (uma composição equilibrada e sóbria, de uma contenção sempre à beira da explosão, apesar de qualquer vilão por muito mau que seja empalidecer sempre por comparação com Lecter) e pela Emily Watson: sempre que Mr.D e Reba estão juntos em cena, a tensão do filme eleva-se sempre até aos limites.
Aliás, os actores são um dos indiscútiveis trunfos deste Red Dragon: se é certo que Anthony Hopkins parece acusar um certo cansaço, Norton continua apostado em mostrar que não é capaz de fazer outra coisa que não sejam interpretações excepcionais. Para além de Fiennes e da Watson, o filme conta ainda com dois clássicos: o sempre seguro Harvey Keitel e o sempre tansgressor Philip Seymour Hoffman.

"I was abducted by an alien spaceship": foi na tarde de ontem, que passei a ver o dvd (#31) do 'Encontros Imediatos - Edição Especial', que comprei na sequência do entusiasmo por ET. Há um prazer enorme em re-ver estes primeiros filmes de Spielberg. Descobre-se uma paixão ainda em estado bruto, pelo cinema, pela arte de contar histórias. Estes filmes tinham uma dose de vontade, de inocência e risco que o amadurecimento de Spielberg como realizador viria a transformar em segurança. Mas aqui ainda era tudo muito novo, muito arriscado. Os primeiros 20 minutos de filme (até aparecer a primeira nave espacial) são puro prazer, puro deleite, a mostrar que uma das especialidades de Spielberg é delinear, logo de início, todo o programa do filme, estabelecer as principais linhas narrativas, envolver o espectador na acção, torná-lo íntimo dos personagens, pô-lo no centro dos acontecimentos (ainda que, como muitas vezes se diz, depois os finais evidenciem uma certa fragilidade; o paradigma destes princípios de filme verdadeiramente assombrosos só pode ser aquela meia-hora diabólica com que abre o Saving Private Ryan).
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