November 7th, 2002

rosas

statements

A propósito deste post da moon_tales, e sem saber muito bem porquê, mas "apetece-me" deixar aqui os estes "statements":
1 - sou radicalmente contra a pena de morte, seja qual for o crime praticado ou o seu agente
2 - sou a favor da total despenalização do aborto, realizado em condições sanitárias e dentro de limites temporais estabelecidos pelo legislador depois de ouvida a comunidade cientifica
3 - não percebo como não se pode amar uma pessoa pelo facto de ela ser portadora de qualquer tipo de deficiência
4 - o direito e os seus aplicadores têm meios e instrumentos para avaliar o grau de consciência da ilicitude de alguém que cometeu um crime, por isso não se pode fazer uma afirmação genérica; se se concluir que alguém tem consciência de que o que estava a praticar era um crime, também tem consciência para perceber o juízo de censura que está contido numa pena.
Estas são algumas daquelas poucas convicções que eu tenho, nem sei bem porquê, e, francamente, nem as consigo justificar muito bem.

Ontem encontrei-me com os meus pais à porta do Avenida, fomos ao cinema à sessão das 7 e depois fomos jantar. Foi um programa especial para eles, e, sobretudo a minha mãe, estava feliz. É inacreditável como nos esquecemos de como a felicidade pode ser uma coisa tão simples.

O filme foi o Moonsoon Wedding, que eu já tinha visto. O filme mantém a frescura e a fluidez narrativa que já me tinham encantado. E tudo ajuda à festa: a policromia, a música (a vontade de dançar na cadeira do cinema), a montagem, a vivacidade dos diálogos. Do ponto de vista narrativo, o filme fixa-se, como é natural neste tipo de filmes “intímos” sobre o “jogo” familiar, nos planos sincopados, na alternância do campo contra-campo, nos grandes planos, como se a câmara fosse à procura das personagens, dos rostos, das reacções, das ligações entre as pessoas, seguindo os seus diálogos (sobretudo os mudos, aqueles que se estabelecem com os olhares). Depois, de tempos a tempos, esta acção “pequena” como que se suspende, e o filme “vai” lá fora, em planos breves e feéricos, à procura da respiração da grande metrópole indiana.