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Signs
rosas
innersmile
Não achei muita graça ao 6º Sentido, achei que o filme se levava demasiado a sério, e, além disso, irrita-me sempre um filme que esconde algumas das suas principais premissas do espectador (apesar de ter tido um flash a meio do filme e ter "acertado" na solução final). Já simpatizei mais com o Unbreakable, apesar de ter achado que o realizador corria o risco de ficar prisioneiro de uma certa maneira de fazer cinema. Por isto tudo, as minhas expectativas para este Signs não eram muito elevadas e, hélas!, saiu um filme muito bom, indiscutivelmente o melhor de M. Night Shyamalan, e aquele que faz dele um definite realizador de cinema. O filme está construído de uma forma milimetricamente perfeita, e há uma sintonia total entre forma e conteúdo, no sentido em que a narrativa está total e eficazmente ao serviço da história. Sem nunca desarmar da história de extra-terrestres, o filme não aposta na sua verosimilhança, ao contrário, aposta na sua inverosimilhança, de forma a realçar que, alí o menos importante é o que se passa nos céus da cidade do México, sendo que o que realmente importa é o que se passa naquela casa perdida numa pradaria do midwest, e, sobretudo, no atormentado espírito dos seus moradores. E é espantoso ver como num filme que vive narrativamente do suspense e da clausura, o humor, e um humor auto-depreciativo, ao invés de distrair, só contribuir para adensar o clima de desconfiança que está na base de todas as soluções do filme. O próprio final é de mestre, dando-nos um verdadeiro final aberto: ou tudo se resolveu e o ciclo (o círculo) se completou, ou então estamos ainda no início, quando tudo ainda não passou de uma perturbação interior. Em suma, um filme interessante, desafiante, provocador e divertido, como não há muitos.

Ontem saí de casa, depois do lmoço, com uma assassina fúria de gastar dinheiro. Fui para o shopping (que, btw, inaugurava ontem o seu horário natalício e, para comemorar, estava já insuportavelmente cheio de gente), comecei na loja da música e só parei muitos euros depois!
Comprei o dvd de "Hedwig and The Angry Inch" que deve ser o primeiro musical rock a sério a muitos anos (desde Sid and Nancy, ou, pelo menos, desde Absolute Begginers). Nos extras, um documentário tão longo como o filme a contar toda a história de Hedwig, desde o seu nascimento nos clubes gay-punk, passando pelo sucesso Off-Broadway e a terminar nesta versão cinematográfica e no reconhecimento Sundance.
E mais 2 cd's (e tive de me segurar): but one day, da diva Ute Lemper (e que me pareceu, em duas breves audições, desequilibrado e medianamente interessante), e Eu Não Peço Desculpa, da parceria Caetano Veloso / Jorge Mautner, e que é uma pérola. Simplicidade, bom-gosto e muito sentido de humor.
Bertrand a seguir: um completo albúm da Taschen sobre o TF (muitas horas de prazer) e um recente livro de poemas do José Luis Peixoto, A Casa, a Escuridão (explicou-me a senhora da livraria que eu também deveria levar Uma Casa na Escuridão, que é o livro de prosa complemeto deste de poesia, mas não me apeteceu!). E, já de saída, a Premiere, que trouxe sem dvd, porque me parece que estes dois próximos meses vão ser tão ricos que um gajo não se pode dispersar).

(Tenho um texto na cabeça sobre o ET para por aqui, e um conto antigo que também gostaria de por aqui, mas que é um pouco longo. Mas estou de fim-de-semana comprido, e há uma série de células cinzentas que fizeram ponte e estão para fora)
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