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moby: concerto
rosas
innersmile
Gostei bastante do concerto do Moby no Sábado. O tipo gere muito bem a encruzilhada que constitui o essencial da sua prestação.Cruzamento de géneros, de registos, de influências, que transformam o concerto numa espécie de espectáculo de variedades, onde o tom intimista nunca anda muito longe do excesso do show bizz. Deste concerto se poderia dizer que oferece "something for everybody" (desde W.A. Mozart a Radiohead, passando pelo gospel, pelo punk e pelo hiphop, sem esquecer o disco e todas as inúmeras correntes da actual música de dança) e sai-se dele consoladinho e de papinho cheio.
Mas há um mas. O concerto ao vivo confirmou uma certa impressão que eu já tinha, de que a música do Moby é um pouco como aquelas paisagens criadas por computador: demasiado belas para serem verdadeiras, perfeitas mas sem alma. Como a verdade encontra sempre os seus caminhos, tudo realmente se passa como n(a banda sonora d)um anúncio: a eficácia extrema ao serviço da tentativa de nos "vender" a ilusão dos paraísos artificiais.

Ainda no Sábado, comprei o dvd na Fnac e passei a tarde de ontem mergulhado nesse filme único, paradigma (e modelo) de um certo cinema que procura (eu diria mandatoriamente) o grande público para lhe devolver histórias excepcionais que poderiam ser vividas por essas pessoas comuns que enchem as plateias.
Estou absolutamente seguro de que a história do cinema (e a da arte do século XX) reserva um sítio para este filme. Por mim, e enquanto o via, e de cada vez que o meu coração se torcia na luz da comoção pura, cada vez mais me convencia de que E T é o filme da minha vida.

Das duas uma: ou não ha coincidências (como diz a outra) ou, o que vai dar ao mesmo, há coincidências que são demasiado extraordinárias. Ainda na Fnac encontrei (ao preço imbatível de €8,20) o CD "Ombra Mai Fù", com árias e peças intrumentais das óperas de Handel, pela Academia de Alte Musik de Berlim (que nesse mesmo Sábado deu um concerto em Portugal!) com o contratenor Andreas Scholl.
O mesmo CD da Harmonia Mundi que eu tinha posto na minha wish list da Amazon, ao preço de 13 libras e com um prazo de entrega de 4 a 6 semanas!
A ideia era ver se a interpetação de Scholl do largo de Xerxes (pois, esse que me tem inspirado nos últimos tempos) podia ser mais sublime que a do David Daniels. Pode, pois!
(aqui está o que falta à bonita música de Moby: esta capacidade quase dolorosa da beleza, uma beleza tão profunda e intensa, que magoa, que fere, nos limites do suportável. Como se fosse uma luz que só se mostra a quem a olha directamente, e que cega que a olha)