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joão césar monteiro
rosas
innersmile
Esta semana o 5 Noites 5 Filmes é dedicado ao João César Monteiro. O JCM é o mais genial realizador de cinema português. Ok, aquela história do Branca de Neve (que vai passar na 6ª-feira, juntamente com Recordações da Casa Amarela) foi um bocado treta, aquilo não teve nada a ver com liberdade artística, deve ter sido, pelo menos foi assim que eu entendi, uma zanga que o JCM teve com alguém (com o Paulo Branco, muito provavelmente), e a maneira de ele se vingar foi por-lhe nos braços um anti-filme. Mas o génio tem destas coisas, e se dá gozo apreciar-lhe as coisas boas, também é preciso dar desconto quando o génio dá para o torto (claro que é indesculpável que "a coisa" tenha sido feita à custa do dinheiro dos contribuintes, mas isso diz mais sobre o estado do Estado português do que propriamente sobre o JCM).
O contra é que os filmes são enormes e passam tardíssimo. Ontem deu A Comédia de Deus, que é o meu preferido. Hoje vai dar A Bacia de JW e amanhã As Bodas de Deus.
O humor do JCM é altamente corrosivo, assim tipo 'terra queimada - não fica nada de pé'. É um realizador profundamente enraizado na cultura portuguesa e no "modo português de ser" e, por isso, é o mais universal dos nossos cineastas. É libertino, inconveniente e provocador, sempre da forma mais elegante (elegância, fino trato, são adjectivos que não andam muito ligados aos filmes do JCM, e no entanto eu acho que são uma das suas marcas mais sedutoras). É culto, erudito e popular. É sólido como só os resistentes conseguem ser, e frágil até ao ponto da comiseração.
Chateia-me um bocado que toda a polémica à volta do Branca de Neve possa ter predisposto muitas pessoas a desprezar o cinema do JCM. Não será tanto uma injustiça (que se lixe, não é?), mas é mais uma pena, porque essas pessoas ficarão privadas de ver o cinema mais inteligente que se faz por cá.
E depois aquela colecção de pelos púbicos é realmente qualquer coisa...
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