October 15th, 2002

rosas

cristina campo

A poesia descobre-nos sempre uma linguagem mais rigorosa, e mais radiosa, para dizermos do nosso espanto, das nossas emoções, dos nossos olhares. Dá-nos sempre novo o mundo que julgávamos conhecer. Aproveitando a circunstância de o livro de Cristina Campo ser bilingue, aí fica na língua original em que foi escrita, a mais fulgente definição do mês de Outubro, deste mês de Outubro, e que tem como epígrafe estes versos de Eliot: “For last year’s words belong to last year’s language / and next year’s words await another voice.”

Si ripiegano i bianchi abiti estivi
e tu discendi sulla meridiana,
dolce Ottobre, e sui nidi.

Trema l’ultimo canto nella altane
dove sole era l’ombra ed ombra il sole,
tra gli affanni sopiti.

E mentre indugia tiepida la rosa
l’amara bacca già stilla il sapore
dei sorridenti addii.


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(Este post é para a moon_tales. Apesar do tom melancólico do poema não ajudar muito aos dias cinzentos, que o doce Outubro lhe traga mais sol do que sombra. Sempre com a certeza de que haverá futuro.)

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