October 12th, 2002

rosas

josé hermano saraiva + shopping

Uma entrevista notavel com o José Hermano Saraiva na Revista de hoje do Expresso. Realmente, a juventude tem o encanto de termos o tempo e o mundo todo à nossa espera, mas a velhice dá tanta sabedoria e tanta falta de medo das conveniências. Uma parte da entrevista interessou-me particularmente: JHS a falar sobre moral e religião. Fiquei surpreendido, mas, por certo por ignorância minha, estava à espera de uma daquelas tiradas muito católicas e conservadoras. Qual quê!, o tipo consegue ser subversivo e desassombrado, como poucos.

Tarde de compras. Afogam-se as mágoas no cartão de crédito! Livros: mais duas peças do WS que a Campo das Letras tem estado a editar: Ricardo II e Sonhos de Uma Noite de Verão. Jogos de Azar, um volume de contos de José Cardoso Pires. E dois livros de poesia no feminino: a italiana Cristina Campo e a brasileira Adélia Prado.
Dois cd's: este que estou a ouvir agora e que faz morrer de inveja dos lucky few que assistiram aos concertos do Palma, descontando as irritantes e costumeiras palminhas a compasso que deveriam ter sido limpas do registo. Não percebo esta mania que o pessoal tem de desatar a bater palminhas a torto e a direito. Eu acho que é uma grande falta de respeito, pelo artista, pela música e pelos outros. Faz-me sempre lembrar um concerto do Zé Mário Branco (que depois também veio a dar disco, o Ao Vivo em 1997), em que ele deixou o pessoal bater palminhas, depois parou e disse que ia começar a tocar do princípio, mas desta vez sem palminhas. Remédio santo, acabou-se a chula. Bom, seja como for, este disco do Palma fez-me ter saudades imensas de ouvir o Só, que é o que eu acho que vou fazer daqui a bocadinho. (ah!, Dá-me Lume é uma das minhas canções, daquelas que me fazem ter um desgosto fatal de não saber cantar).
E Largo do Brad Meldhau, que me surpreendeu; não achei, como tinha lido algures, que o BM fez um album pop, mas eu estava habituado a um BM mais seminal. Eu só tenho o Introducing e três dos The Art of Trio (os 3 primeiros), e a princípio fez-me um bocado de confusão, parecia que havia intrumentos a mais, mas é mesmo uma questão de habituação. O disco tem um lado experimental que é entusiasmante e a versão da Paranoid Android é entusiasmante.
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    Jorge Palma - No Tempo dos Assassinos