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6fu + una giornata particolare
rosas
innersmile
Na minha opinião, esta segunda série da Six Feet Under está ainda melhor do que a primeira: mais estranha, mais cruel, mais divertida, mais séria, mais profunda. O mérito deve ser mesmo do Alan Ball, porque a série está cada vez mais idiossincrática, mais parecida com ela própria, e por isso cada vez mais longe do mínimo denominador comum em séries dramáticas para televisão, e isso deve ter a ver com o facto de, graças ao sucesso que está a ter, garantir para os seus criadores maior liberdade criativa. Mas divago...
Definitivamente, a Ruth Fisher, a mãe, é a minha personagem preferida. É, de todas, a mais lúcida, a menos auto-complacente. Por isso, é também a mais risível, a mais frágil. E, naturalmente, é a mais forte, porque é aquela que melhor suporta olhar-se ao espelho.
Aliás, isso tudo esteve muito em evidência no episódio de ontem, "The Invisible Woman", que foi, acho eu, dos melhores da série. Muito por mérito de Emily Previn, a 'morta de serviço'. Até porque, últimamente, é um assunto que me tem ocupado muito, essa situação de, como se dizia no episódio de ontem, passarmos pela vida sem tocarmos, ou quase sem tocarmos, os outros.
Bom, nesta altura, eu deveria deitar-me no divã e assumir que ando a passar uma fase em que a solidão me faz um certo medo e uma das formas por que esse medo se revela é, precisamente, em eu me angustiar de um dia, quando morrer, as minhs coisas, os meus livros, o meu "stuff", não passar de um monte de lixo de que os meus herdeiros legitimários (aqueles que sobram, quando faltam os legítimos e os testamentários) se vão querer ver livres rapidamente para poderem vender a casa e, dessa forma, ressarcirem-se pecuniariamente das maçadas que tiveram por eu ter morrido! Já quase deitado no divã, entrevejo o que esta preocupação com o que se passará num dia em que eu hei-de estar morto significa do meu estado de espírito actual (enquanto ainda estou praticamente vivo)...
Credo!, onde isto já vai. Eu bem digo que a Six Feet Under é a série mais poderosa que eu já vi!

Segue-se um (outro) momento de serviço público de televisão: logo à noite, na rtp2, vai passar Una Giornata Particolare, que é o melhor filme do Ettore Scola (porque é que os filmes dele deixaram de passar cá na merdaleja?), o melhor filme do Marcello Mastroianni (e não me estou a esquecer do La Dolce Vita) e, apesar de esta não ser muito difícil, o melhor filme da Sophia Loren. Um filme 'pequeno', intímo e intimista, nada pretencioso, mas verdadeiramente admirável, sobre um acontecimento verdadeiramente "particolare": duas pessoas que não podiam estar mais longe uma da outra, encontam-se (no sentido físico, mas também no sentido espiritual do termo) num dia que a história se faz para lá da janela do apartamento que partilham.
Uma obra-prima, que estará hoje à distância do botão "rec" do telecomando.
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