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Nan Goldin
rosas
innersmile
Precisava de ver outra vez a exposição das fotografias de NAN GOLDIN no Museu de Serralves, para conseguir apreender mais coisas e sistematizar melhor todas as ideias que as fotografias sugerem. Até porque, apesar de lá ter passado mais de duas horas, houve coisas que não vi, ou vi muito a correr (The Ballad of Sexual Dependancy foi a principal vítima desta pressa). De qualquer maneira, há duas ou três coisas a reter.
A primeira tem a ver, claro, com o forte impacto das fotos, que resulta da conjugação perfeita entre o seu conteúdo e o respectivo formato.
Depois, é uma fotografia que destaca muito o próprio momento em que foi tirada: em cada fotografia (ou em quase todas elas), tão importante como o resultado final, é o referente que nelas é feito para o momento em que foram feitas; por um lado, adivinha-se sempre a presença da fotógrafa, não apenas a presença "artística", mas a própria presença física. Isso é óbvio nos auto-retratos e nas outras fotos em que NG figura, é ainda visível nas legendas das fotos (foto tirada no "meu" quarto, na "minha" sala, as eferências aos "meus" amigos), mas pressente-se em todas as fotos, mesmo naquelas em que essa presença está mais esbatida.
Outro aspecto que me pareceu muito interessante é a forma como as fotos mais recentes parecem descolar de uma certa ideia de grau zero da moralidade. Ser moral é saber distinguir entre o bem e o mal, e escolher o bem! Ha fotos que parecem investir marcadamente numa espécie de neutralidade moral, como se a fotógrafa dissesse "isto é assim e eu não faço nenhum juízo de valor". Isso pode parecer um pouco perturbador, não só porque há uma certa 'glamourização' daquilo que poderíamos denominar de "social ugliness" - por exemplo uma certa estética punk chic de que Goldin foi precursora, mas porque há uma assumida exposição de situações e doença e de abuso violento. O que resgata as fotos dessa a-moralidade é, ainda, o olhar intensamente afectivo da fotógrafa: "isto é feio, mas eu amo-o".
O que nos leva ao lugar da beleza física nas fotografias de NG. São, mesmo quando isso não é muito evidente, fotos de uma grande beleza, não no sentido em que o plano é composto de forma a ser belo, mas no sentido mais radical em que é o olhar que fotografa que considera o objecto da fotografia belo. "Ele é belo, eles são belos", parece ser o statement, algumas vezes gritado, e gritado de forma quase desesperada, que Nan Goldin não pára de afirmar em cada uma das fotografias.

Depois da exposição, fui almoçar ao sítio do costume (não, o Pino Doce estava fechado), onde assisti a uma invasão de alguns dos superheróis do MasterPlan, e a seguir para a Fnac de Santa Catarina: comprei o dvd do Vertigo do mestre Alfredo, e três cd's de bandas sonoras: About a Boy, The Straight Story e Brother.