?

Log in

No account? Create an account

maputo, terra amarela e chuveiro
rosas
innersmile
Penso que foi na edição do Público de ontem que eu vi a notícia, mas não tenho a certeza. Em Maputo realizou-se um concerto com a participação de oito bandas locais, de solidariedade para com as vítimas das cheias na Alemanha, tendo os respectivos proveitos sido entregues à Cruz Vermelha para apoio às vítimas. Aquele que é um dos países mais pobres do mundo (já foi, não sei se ainda é, o mais pobre; e que por acso foi a terra onde nasci) solidariza-se através de ajuda financeira, com aquela que é a terceira maior economia do mundo. O gesto, que é uma lição para todos nós, cidadãos e nações, revela, para além de tudo, um espírito de gratidão de que só os verdadeiramente humildes (eu escrevi humildes, não subservientes) são capazes; é que a Alemanha foi dos países que mais ajudou Moçambique aquando das cheias que há uns anos destruiram o país, e os moçambicanos não esquecem que eram alemães os helicópteros que andaram a salvar pessoas refugiadas em cima das árvores. A notícia do concerto passou nos noticiários da ZDF (acho que é assim que se chama). Como escrevia a articulista do Público, não há maior dádiva do que a da viúva.

Se há coisa que o ciclo de cinema chinês tem estado a demonstrar, é que falar numa cinematografia chinesa é esquecer que, mais do que de cinematografias, o que faz sentido é falar de filmes. E os filmes querem-se diversos, originais, autónomos como o spírito que os pensou. Os 3 filmes até agora apresentados não podiam ser mais diferentes. TERRA AMARELA, o filme de Chen Kaige, é admirável, de um lirismo profundo, belo como as vozes dos cantores que entoam as canções tristes que o soldado tenta recolher.
Rever (e gravar) o CHUVEIRO permitiu descobrir , eu não diria falhas, mas um subtexto "ideológico" que me tinha escapado da primeira vez: é um filme a raiar o reaccionarismo, de tão conservador (mais do que tradicionalista) que é. Mas aquilo que da primeira vez que vi o filme me impediu de ser mais frio e analítico, é aquilo que, novamente desta vez, me continua que a fascinar: o olhar terno e comovente com que Zhang Yang filma os seus personagens. Er Ming é um "character" formidável, é ele (e o actor que lhe dá corpo) que puxa todo o filme (cujas sequências mais fracas são aquelas, precisamente, em que ele não está em cena), que lhe dá sentido e coerência.
Tags: