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melhoras
rosas
innersmile
No hospital das 2 às 8. Mas hoje tudo foi diferente. Quando saimos do elevador, ele estava no hall à nossa espera (contra a ordem das enfermeiras que lhe disseram para não sair do serviço), bem disposto, alegre, comovido com as suas melhoras tão rápidas, com o pessoal que é carinhoso para ele, com as manifestações de solidaridade dos amigos, enfim, comovido consigo próprio e com a noção de que está a sair vitorioso desta aventura.
Naturalmente, o meu dia, os meus dias, rodam à volta do hospital, do meu pai. Por isso não há mais nada a acrescentar ao diário.
Ok, ontem, à meia-noite e meia, mandei uma sms ao meu irmão a dizer que continuava à espera da chamada dele. Ligou logo a seguir. Com o ar mais calmo deste mundo, "fui-lhe aos cornos" e a seguir contei-lhe o que se tinha passado. Depois, "bati-lhe" mais um bocadinho por causa da minha sobrinha que ainda não telefonou a saber do avô. Hoje, ligou-me uma série de vezes todo delicodoce. Claro que não está tudo bem, e eu não consigo disfarçar a mágoa imensa e a decepção ainda maior. Mas curiosamente, senti, pela primeira vez, pena dele. O tipo de pena que sentimos dos fracos, dos infelizes, dos coitados. A pena daqueles que, como diz o Saramago, estão sós, não porque sejam como uma árvore que está só na planície onde mais nenhuma está, mas porque as suas folhas estão irremediavelmente distantes das suas raízes, daqueles que estão sós porque são incapazes de fazer companhia a alguém que está dentro deles próprios.

Está a começar na rtp2 SOME LIKE IT HOT, a obra-prima de Billy Wilder com Mariliyn (o pretexto são os 40 anos da sua morte), Lemmon e Curtis. I'm outta here.