August 3rd, 2002

rosas

dasse

...dasse!, que cansaço. No Hospital, das 3 da tarde até às 8, com ligeira corrida cá fora para comprar Canderel em saquetas. Não é tanto o facto de ter lá passado a tarde, nem qualquer tipo de esforço físico violento, mas apenas o resultado de uma tarde de enorme tensão. O meu pai recebeu-nos, a mim e à minha mãe, com uma dose de agressividade enorme, estava mesmo à nossa espera para "despejar" toda a sua impaciência, o medo, as incertezas e os receios, os nervos, enfim!, refilou tanto e por tudo. Eu alinhei na coisa durante uns tempos, a aguentar-lhe tudo de forma mais ou menos complacente e paternalista, mas depois comecei a brincar com ele, a provocá-lo, a mandar piadas, a obrigá-lo a jantar (eu acho que o seu enorme mal estar tem a ver, para além do pós-operatório em si, claro, com um estado de enorme fraqueza, não come nada de geito há 4 ou 5 dias, a comida do hospital é horrível, para mais dieta hipoglucida por causa dos diabetes). Bom, parece que resultou, quando saimos de lá estava mais calmo, mais conformado, mas foi muito cansativo, extenuante. Claro que não me estou a queixar, o pior de tudo é ver que o seu desespero é genuino, ele está realmente aflito, aquilo não é fita, é assim mesmo.
Consola um pouco ver que muitas das coisas que estão a acontecer foram antecipadas pelo pessoal que tem falado comigo, pois isso significa que as coisas estão a decorrer normalmente.
O meu irmão veio ontem ao fim da manhã, foi com a minha mãe ao hospital às 3, saiu às 4 porque tinha de tratar de assuntos, voltou às 7 e meia, saiu, conosco, às 8 e despediu-se para se ir embora para o Algarve, com a desculpa (verdadeira ou falsa, não me interessa) de que hoje tinha de ir trabalhar! Telefonou-me hoje, às 8, quando estávamos de saída. Pú-lo a falar com o meu pai e pedi-lhe para me ligar daí a 10 minutos, para lhe contar o que se tinha passado. Até agora! Não sei o que hei-de fazer para me tornar imune à dor e à mágoa. Aquele princípio de que nos tornamos insensiveis ao sofrimento quando ele é repetido, parece não se aplicar quando... quando quê
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