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the Robinsons' affair - IX
rosas
innersmile
Mr. Robinson está parado à porta do bar do Hotel Taft. Perscruta a sala em busca da beleza, mas os seus olhos param numa mesa ocupada por três mulheres. As três têm a única idade que, nas mulheres, é bem definida: estão a sair do pântano da meia-idade e, pela primeira vez em muitos anos, sorriem, confiantes, felizes e reconfortadas, face à perspectiva da entrada naquilo a que se chama "velhice".
Mr. Robinson aproxima-se da mesa: Mrs. Pink, Mrs. Purple e Mrs. Brown elevam o tom das pequenas gargalhadas, numa nuvem de perfume distinto. Trocam beijos nas faces e simulacros de abraços, que consistem em tocar muito ao de leve com as mãos no antebraço, logo abaixo do ombro, do outro.
Mr. Robinson, que, de repente, mas de uma forma não muito dolorosa, sentiu rasgar-se qualquer coisa dentro de si, troca um prazer por outro. Aparentemente, o seu ponto estratégico do prazer subiu da base do estômago para o local do cérebro que recebe o estímulo do aroma do perfume e devolve a sensação de inebriamento que, como uma nuvem de fumo que invade o palco e depois a plateia, se estende até às longínquas partes do seu corpo.
Senta-se, chama com voz firme o empregado e, depois de perguntar às senhoras se desejam mais alguma coisa, pede um uísque com gelo.

( Benjamim atravessa o quarto 512 até à porta da casa de banho e acende a luz. Volta atrás e corre a persiana da janela virada para a piscina iluminada. Abre as portas dos armários, uma a uma. Vasculha as gavetas vazias da cómoda. Tira, de uma das gavetas da mesa de cabeceira, uma enorme lista telefónica, que abre ao acaso. Na letra R.)
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