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o favorito
rosas
innersmile
Em 323 a.C., em Ecbatana, o mais íntimo dos favoritos do imperador de um império que ia de Gibraltar ao Punjab, adoece com gravidade. À luz da medicina moderna, ter-se-á tratado de uma febre tifóide, mas a hipótese de envenenamento ainda é, à luz da história, a mais provável. Dias depois, aparentando melhoras, pede uma sopa de galinha, que lhe é servida por Glauco, o médico pessoal do imperador. O alimento sólido provoca uma perfuração na parede intestinal, e o doente morre em poucas horas. Avisado quando estava a assistir aos jogos, o jovem rei corre para junto do amigo, mas só para o encontrar já morto. A ordem para enforcar o médico imprevidente é apenas o primeiro sinal de um ataque de loucura temporária, que deixa o exército, e o império, sem comandante. É decretado um luto pesado. O negro cobre todas as cores. Toda a música é proibida. O jovem rei rapa o cabelo, por sua própria mão e a golpes de faca. Manda cortar as crinas e as caudas dos cavalos. Chama arquitectos e escultores para desenhar altares e estátuas em todas as grandes cidades. Decreta que o funeral tenha lugar na sede da sua corte, na Babilónia, para o que manda construir a mais monumental pira fúnebre.
Menos de três meses depois, o jovem imperador, que em apenas treze anos conquistara Tiro, Gaza, o Egipto e todo o imenso Império Persa, comandando sempre pessoalmente os seus exércitos, adoece e morre também. Os persas, em sinal de luto, rapam as cabeças.

Anos antes, após a derrota do rei da Pérsia, Sisigambis foi levada à sua presença para prestar honras ao vencedor. Entrando na sala, a Rainha-Mãe da Pérsia dirigiu-se, entre os dois homens presentes, àquele que tinha um porte mais digno e imponente e estava mais ricamente vestido. Os acólitos apressaram-se a corrigi-la, temendo a ira do jovem imperador. Mas este aceitou as honras feitas a Hefestion declarando: “Ele também é Alexandre”.