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Hable Con Ella + Killing Me Softly + Wasabi - Duros de Roer
rosas
innersmile
Expedição cinematográfica ao Arrábida, ontem. Começámos por HABLA CON ELLA, que a M ainda não tinha visto, e que eu não me importei nada de rever. Parece que, à luz de uma revisão, o filme é ainda mais triste e ainda mais divertido do que à primeira. E começarmos a perceber como é que aquela narrativa se constrói, qual é a técnica, o vocabulário, não diminui em nada o prazer de disfrutar do filme (cena de que te falei aparece quando Marco está a passar a primeira noite no quarto de hospital junto a Lydia; não se percebe bem se é um sonho se é um flshback - ou se ambas as coisas..., e, enquanto decorre a cena, ouvem-se já os primeiros acordes da canção de Caetano Veloso. Poderíamos dizer, com ironia, mas sem subtileza, que é uma cena de sexo gratuito!).
Killing Me Softly anuncia-se como um thriller erótico. Ora, se há coisa de que nos devemos afastar rapida e firmemente, é de um filme que se anuncia desse modo. Nada de bom, jamais, poderá advir de tal enunciado. E não percebo que caminhos determinaram que Chen Kaige, o autor do muito celebrado Farewell My Concubine, tenha sido levado a esta história criada por Nicci French (que, tanto quanto sei, é uma dupla de fabricantes de best-sellers do tipo, precisamente, thriller erótico). Enfim, mistérios insondáveis. E depois Heather Graham não sabe representar, ou, se sabe, esqueceu-se de o fazer: o seu nível de expressão dramática é confrangedor, de tão primário. Quanto a Joseph Fiennes, convencido que basta fazer ar de alucinado misterioso para ganhar densidade, passeia o seu olhar pseudo-intenso numa entrada precoce para o desempenho tipo canastrão! Todo o filme é inacreditável (mas também não admira: a matriz do thriller erótico foi fixada nos filmes do género '9 semanas e meia', nomeadamente o perfil dos protagonistas, e será dificil, se não impossível, endireitar o que nasceu tão torto).
Depois do pastelão anterior, Wasabi - Duros de Roer até que parece ter alguma frescura. Apesar de ser realizado por Gérard Krawezyk, o filme é produzido por Luc Besson, e notam-se as marcas todas do produtor no produto final. Besson insiste em criar produtos de grande público, repetindo algumas receitas de sucesso. O problema é que o tom é cada vez mais caricatural, e o resultado cada vez menos convincente. Depois, há coisas que o filme promete e só parcialmente cumpre, nomeadamente o que se refere a uma maior exploração de uma certa estética "yakuza". Bom, fica apenas o humor, e uma certa "feérie" ultra-tech de sabor nipónico. Ah, e a proza de que Jean Reno será mesmo o único actor que consegue aguentar de forma minimamente segura uma personagem que não ultrapassa a caricatura.

De cada vez que cruzo aqueles lugares, aquelas estradas, de cada vez que percorro à noite aquele troço de auto-estrada, há uma perturbação, um tremor, uma tontura. Que vem de os ter vivido com uma intensidade absoluta, com cada célula, com cada poro. E de os ter perdido como quem corta uma árvore pela base do tronco: já nada florescerá daquele toro inútil, mas para sempre ficará ali aquela marca como uma cicatriz, para que não nos consigamos esquecer jamais.
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