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Spider-Man
rosas
innersmile
Parece-me excessivo, e desnecessário, querer dar uma caução de seriedade a Spider-Man, forçando a tónica de que o Homem-Aranha é o mais humano de todos os super-heróis. O filme não precisa disso, Sam Raimi não precisa disso, e o próprio Peter Parker / Spider Man não precisa disso. Ah!, e nós, sobretudo nós, os espectadores, não precisamos disso. Ninguém quer ver um super-herói de rosto humano. O gozo das histórias de super-heróis é eles, tal como nos contos de fadas, superarem a natureza humana, acentuando-lhe as virtudes ou mesmo, o que não é tão raro como isso, as fragilidades. Vejamos, pois, Siper-Man, the movie como aquilo que ele é: um produto da indústria de entretenimento, com perfil de elevado consumo (uma maneira pseudo de dizer "um blockbaster"). E o que importa saber, então, é se esse produto é bem feito e se traz alguma coisa de novo. Sam Raimi é, já de si, e habitualmente, um realizador com um forte referente na banda desenhada, e isso, neste filme, revela-se uma mais-valia importante. O universo do filme, como em qualquer boa BD, é totalmente coerente, é, nesse sentido, um universo completo, fechado, sem pontas soltas, o que, naturalmente, faz elevar a capacidade enfabuladora do filme. Essa será, se não uma originalidade, pelo menos aquilo que Spider-Man apresenta, enquanto dispositivo narrativo, de particularmente bem conseguido no conjunto dos filmes baseados em heróis de banda desenhada. Mas é ao nivel técnico que o filme encanta. Não cedendo à tentação de fazer um show-off de efeitos especiais (como tantas vezes acontece com este tipo de produtos), Sam Raimi utiliza-os ao serviço da narrativa, e é quase um trabalho de casa reparar no detalhe da perfeição dos efeitos de vôo do Homem-Aranha, como, à laia de "encore" de virtuosidade, se pode ver na espécie de epílogo do filme. Assim, Spider-Man é, inegavelmente, um óptimo produto, um produto bem sucedido, a merecer o sucesso que tem conhecido por todo o mundo, na medida em que corresponde, e eventualmente supera, as nossas expectativas. Discutir se, por isso, é um bom filme, se é bom cinema, parece-me ser uma discussão que não passa por aqui.

Há um enorme sortilégio na religião, sobretudo nas suas formas mais populares e ritualizadas. Em vinte e tal anos de Coimbra, nunca tinha assistido à procissão da Rainha Santa no Largo da Portagem. Quando o andor pára à saída da ponte, as luzes se apagam, e uma voz (num discurso de que gostei, porque acentuou a ligação da igreja aos pobres e aos desfavorecidos) saúda Isabel, protestando a fidelidade e a devoção do povo à Rainha e à Santa, é impossível não acreditar nalguma coisa. Por isso, eu escolho acreditar: no sortilégio, e na profunda fragilidade do homem, que prefere a companhia dos ídolos à solidão eterna da sua alma
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