?

Log in

No account? Create an account

Romance russo - parte II
rosas
innersmile
Estava tudo a correr bem, ou, pelo menos, num clima de "entente cordiale", como se dizia nos tempos da guerra fria. De repente, a família toda na sala a olhar para a televisão, e uma brincadeira parva deitou tudo a perder. A raiva, tão domesticadinha durante o fim-de-semana, transbordou.
Passa-se qualquer coisa de muito errado. Isto faz-me um mal atroz! E a verdade é que quando olho para dentro não encontro respostas, nem clareza. E como tenho a certeza de que todas as respostas estão cá dentro, isso deixa-me ainda mais perturbado. Há sentimentos contraditórios, recriminações reprimidas, remorsos antigos, alguns deles esmo muito antigos. E isso tudo faz-me doer. Por um lado quero distância, porque a distância dá-me alguma tranquilidade (longe da vista...), mas, por outro lado, essa distância indigna-me, faz aumentar a mágoa. Aborrece-me ter tantos sentimentos negativos em relação a uma das pessoas que me estão mais próximas na vida, daquelas que eu mais amo, ou, pelo menos, que eu mais amei. Isso entristece-me. Entristece-me ainda saber que o facto de eu ter estes sentimentos tão negativos entristece, de uma forma muito magoada, e preocupa, os meus pais. Mas não há nada que eu consiga fazer. Pensando bem, acho que ainda assim, apesar de a distância me dar mais razões para me zangar, ainda é o que me traz mais tranquilidade, alguma paz de espírito. Mas não sei...

E depois, é pior. Tudo isto me enche de "self pity", que é a coisa mais peganhenta que há. Bem, reconheço à auto-compaixão alguma utilidade, é mais ou menos como os animais que se aninham a lamber as feridas, mas que é um bocado piegas, isso é!

Bom, está na hora de passar o tira-nódoa, e pensar como é que eu, logo, vou compensar os meus pais por este momento de particular infelicidade.
Life goes on!