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Confessionário sentimental
rosas
innersmile
Há aquela anedota acerca de um tipo que deixou de fumar, e a quem o médico pergunta se se anda a sentir calmo; responde ele que sim, sente-se muito bem, calmíssimo, agora o problema é que parece que toda a gente à sua volta está carregada de stress, muito nervosa e agressiva! Se calhar é isso que se está a passar comigo: começo a achar que há uma quantidade enorme de gente com quem tenho de lidar que anda a descolar da realidade. Às tantas o que se passa é que, como na canção dos Queen, "I'm going slightly mad".
O facto de alguém me ter acabado de dizer que acha que, inesperadamente para mim, eu fui o principal responsável de um conflito (nem é bem um conflito, é mais uma zanga entre pessoas que já se deram muito bem, uma daquelas coisas que mete relações profissionais e pessoais ao barulho) de que sou parte ("tu é que não conseguiste lidar com a situação" foram as palavras usadas), quando eu acho que é tão evidente que é a outra pessoa que está a perder vertiginosamente o juízo, também não ajuda nada a esta sensação desasada que estou a ter!
A loucura é uma das (raras) coisas de que eu tenho medo pânico, verdadeiro pavor. Sempre achei que o meu instinto de sobrevivência, a minha principal arma de defesa (e de ataque, já agora), dependia muito da lucidez, de uma capacidade de ver as coisas (de ver-me a mim, sobretudo) com muita clareza e clarividência. Não se trata de ser frio e racional, antes de nunca me enganar a mim próprio, não ter nenhuma auto-complacência, não dar desculpas a mim próprio. Assumir as decisões, mesmo, e sobretudo, aquelas de que me venho a arrepender mais tarde, como tendo sido decisões que tomei de livre vontade e arbítrio. Não culpabilizar os outros, e as circunstâcias, pelo que corre mal. Esta atitude tem-me sempre trazido alguma paz de espírito: se eu sei porque tomei determinada decisão, e se sei que naquelas circunstâncias essa foi a única decisão que fui capaz de tomar, então não vale a pena estar-me a culpabilizar ou desculpabilizar em demasia. Foi assim, e acabou, passemos à frente. Aliás, uma das razões da minha incompatibilidade com o catolicismo foi essa rejeição da culpa, do sentimento de culpa, com é suposto termos de carregar como uma cruz.

E como não há uma sem duas, o fim-de-semana vai ter reunião familiar. Ok, eu sei que já estou em minha casa e posso sempre abreviar os 'get togethers', mas é sempre complicado gerir todas as tensões que se estabelecem. A minha mãe ontem à noite já me esteve a fazer 'preparação psicológica', a pedir-me para não ser tão "indiferente", como fui, de forma ostensiva, da última vez. Depois eu fico assim entalado, entre o desejo de não a magoar, e a vontade de não ser hipócrita fazendo de conta que está tudo bem e que o mundo é um verdadeiro anúncio natalício da coca-cola.

Chiça, que isto parece um romance russo!