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Dragonfly
rosas
innersmile
Cada novo cd de Amélia Muge é um desafio e uma expedição. aMonte, o mais recente, é um (inteligentíssimo, como é natural nela) dicionário de referências e inspirações. Tem versões pessoalíssimas (e inesperadas, como a de Monkey's Paw, da Laurie Anderson), e tem, sobretudo, a convocação dos poetas e das palavras que marcam a voz de Amélia: Grabato, claro, e sempre!, Pessoa, Sophia, Mia Couto, Drummond, entre outros. Não é justo que a maior parte dos portugueses, por força das regras mais ou menos desviantes da indústria (este cd é uma edição de autor), passe ao lado de uma das vozes (em sentido literal, mas também em sentido "autoral") mais inovadoras e entusiasmantes da música (nao apenas popular) portuguesa. Amélia não tem preconceitos de género ou de identidade sonora. E isso, aliado à inteligencia e ao bom-gosto, é o seu maior triunfo.

Ontem fui ver uma coisa inenarrável, chamada Dragonfly, um pastelão tipo I-see-dead-people com o ainda mais pastelão Kevin Costner. Oh pah, que coisa chata e desconchavada, a verem-se os alinhavos todos, tudo muito primário e pseudo.
[Esqueci-me de registar aqui a única coisa agradável do filme: a presença, ainda que episódica, de Linda Hunt; Hunt ganhou um oscar de melhor actriz secundária com o filme The Year of Living Dangerously - O Ano de Todos Os Perigos, um espectacular filme de 1982, realizado por Peter Weir, com Mel Gibson e Sigourney Weaver, e que retratava a revolução indonésia de 1965 que consagrou a ditadura do presidente Sukarno. No filme, Hunt desempenha o side-kick de Gibson, um fotógrafo local que joga a sua sobrevivência num delicado jogo de ambivalência e ambiguidade. É um papel notabilíssimo, daqueles que nos marcam de forma indelével, ao ponto de nunca esquecermos o filme, o papel e a actriz que o desempenhou. Uma pesquisa na IMDB mostra-me outros filmes onde Hunt espalhou o seu estranho e misterioso charme (sim, claro que a beleza é interior!), mas de cuja presença a minha memória não guardou marcas]

A melhor coisa da ida ao cinema foi, desafiado pelo Pedro, ter ido a pé e à sessão da meia-noite. Andar a pé por Coimbra às duas e tal da manhã, sob uma finíssima chuva de Verão (garoa, diriam os brasileiros), conversando despreocupada e despreconceituadamente sobre this and that. Obrigado!

Beckham, na capa e em entrevista à Attitude. A provar que só existe o mêdo, e que o mêdo só existe na cabeça do medroso.