?

Log in

No account? Create an account

old books
rosas
innersmile
Durante perto de 30 anos, estes livros estiveram guardados em caixas de cartão, enfiados num armário. Enciclopédias "juvenis", como se denominavam na altura, albuns, histórias universais ilustradas, livros práticos (biblioteca activa, da Verbo, com títulos como Vamos Tirar Fotografias, ou Vamos Conhecer o Universo, ou O Meu Gravador).
Agora, consequências ainda da minha mudança, estão alinhados na estante do meu quarto antigo, e perguntam-me que destino lhes dar. Eu olho-os de relance: os cantos das capas partidos, as folhas envelhecidas e sujas. Com a mesma leviandade com que os olho, respondo "dá-os. Manda entregar na igreja".
De saída já, na porta do quarto, a memória mais viva: a lembrança das sensações, das emoções que sentimos. Uma memória física, uma impressão que o cérebro registou há muitos anos e que, de repente, reconhece, identifica, associa, responde. Neste caso, o que eu sentia quando tocava estes livros, quando lhes olhava para as capas, o fascínio das cores das fotografias, os segrêdos, as palavras. A impressão que me causava a quantidade imensa de informação que aqueles livros continham. A sensação de novidade que algumas daquelas capas me causaram, ao ponto de, agora, 30 anos passados numa caixa de cartão sem luz, eu olhar para elas e ser tocado pelo mesmo sentimento de novidade, de que há alí um mundo a descobrir. O fascínio intacto.
De repente, tomo consciência: é a minha memória que ali está. É a minha vida que ali está. A criança que eu fui e que, irremediavelmente, ainda trago comigo, como se fosse outra pessoa.
Era "eu" que eu tinha acabado de deitar fora.