?

Log in

No account? Create an account

The Panic Room + Pedrinhas de Luar
rosas
innersmile
Quando David Fincher é bom, é muito bom. Não gostei muito do 'Clube de Combate', que achei um bocado pointless e exibicionista (tipo longo solo de virtuoso de guitarra eléctrica, assim tipo "ó para mim, tão bom nisto que eu sou"), mas, claro, 'Se7en' é uma obra-prima, o 'Alien3' vem logo a seguir ao genial, e o 'Jogo' só fica umas casinhas a seguir. The Panic Room volta a ser Fincher em grande forma, com a vantagem de contar com a #1 lady do cinema (bendita lesão do joelho de Miss Kidman). Jodie Foster consegue fazer-nos acreditar na mais ínfima célula de cada uma das personagens que interpreta, arrebatando-nos e levando-nos consigo para dentro do filme.
Na minha opinião, o filme só tem, a nível de narrativa, uma pequeníssima falha: Fincher não resiste a trazer-nos para fora da casa no 'episódio' da lanterna SOS. Fincher devia ter acreditado mais um bocadinho no poder persuasivo da elipse, e deixar-nos "às cegas", na exactíssima posição das duas protagonistas.
Verdadeiramente notáveis são os travellings! Aquele travelling inicial, quando a câmara deixa Foster na cama e vem cá para baixo à procura dos intrusos, é de mestre. Em vez de optar por um contra-campo, que faria das protagonistas vítimas de um acaso qualquer, Fincher vem cá baixo buscar a ameaça, diz-nos directamente que acabou a brincadeira e que as coisas vão começar a aquecer, como se viesse deliberadamente à procura dos problemas. O "estilo" de um realizador, a sua linguagem própria e distinta da dos outros, só faz sentido qunado está eficazmente ao serviço da narrativa, e é isso que acontece com este filme.
Para além de Foster, é sempre bom reencontrar Forrest Whitaker, um actor especial. Kudos também para Dwight Yoakam que, apesar de passar mais de meio filme escondido atrás de uma máscara, faz de cada incursão no cinema uma ocasião especial.

Ontem fui com o Gugu ao teatro, ver o Teatrão com Pedrinhas de Luar, uma adaptação de Hansel e Gretel, dos irmãos Grimm. Ele gostou, e isso era mesmo o mais importante. Os putos são mesmo uma coisa especial: falam durante a peça, reclamam (ouve um que, lá a meio, desatou a berrar "quéo i emboia" e a única maneira de o calar foi mesmo trazê-lo cá para fora), manifestam-se. Deve ser preciso ter uma certa fibra para se ser actor de teatro infantil, estar preparado para todas as possíveis interrupções, e, sobretudo, não perder a concentração perante as bocas mais desconcertante
Tags: ,