May 25th, 2002

mapa

the robinsons' affair - IV

Mr. Robinson aperta o botão da camisa. Voltado para a parede. Em frente ao espelho, ajeita o colarinho, por força do hábito de usar gravata.
Mr. Robinson sabe que, daqui a menos de cinco minutos, estará, só, ao volante do seu automóvel. Que sentirá uma leve sensação de incómodo causada pela lonjura do seu destino. Pela distância a que se encontrará, naquele momento, naquele local desamparado entre a portagem e a pista firme da auto-estrada, de uma outra casa, de uma outra cama, de um outro corpo. Sabe que irá parar num desses hangares de naves espaciais que são as estações de serviço à luz escura das madrugadas. Que o rádio irá deixar de tocar a sua canção preferida e que irá ter de mudar de frequência.
Mr. Robinson sabe que aquele ligeiro, quase imperceptivel amargo na boca virá da suave resignação com que aceita a implacabilidade de um destino que o faz afastar-se, em alta velocidade, do único sítio para onde, julgará ele, quer verdadeiramente ir.

(A rapariga da foto levantou-se e saiu. Subitamente. Deixou de estar no nosso campo de visão. Há um desespero...