May 21st, 2002

mapa

the Robinsons' affair - II

Mr. Robinson prepara mais um uísque. Ele sabe que o jogo que está disposto a jogar é um jogo perigoso. Tem consciência de que está no limiar, na véspera do primeiro dia, do dia inaugural, do dia em que as coisas podem começar a acontecer. Esse dia que, depois, olhado para trás à distância, será doce como todas as memórias vagas. O dia dos balanços que fazemos antes de começarmos a perder. Mr. Robinson sabe que da próxima vez que fizer um balanço vai ser para contabilizar perdas. E mesmo assim.
Há qualquer coisa que se agita. Uma vibração. Uma bandeira hasteada onde antes só havia um baldio. Ou um vazadouro. Um campo aberto ao fustigo do vento e da chuva.
É como se Mr. Robinson soubesse, na ignorante inconsciência do que lhe pode acontecer, do que lhe está para acontecer, do que lhe vai acontecer, do que lhe está a acontecer, que recordará este dia como o último dia em que a sua vida era ordenada, calma, segura.
Mr. Robinson olha para o telefone negro como se ele fosse começar a tocar no momento seguinte.

(A rapariga da foto senta-se na beira da cama e desfolha uma revista. Até baterem à porta, ou até o telefone tocar, toda a sua atenção estará voltada para uma ausência.