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the Robinsons' affair - intro
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innersmile
É impossível segurar as minudências do tempo. O dia-a-dia. Os pormenores do nosso quotidiano. Aquilo que nos dizem no tráfego das conversas de circunstância. Os pensamentos que nos atravessam como um relampago e que parecem conter o segredo da salvação do mundo. Uma canção.
Uma canção que nos acompanha desde sempre e que todas as vezes que a ouvimos nos transporta para esse tempo indefinido, esse tempo perdido no tempo como lágrimas na chuva, esse pormenor sem a mínima importância no acidente das nossas vidas, o batuque do coração que marca a anónima passagem do segundo, de um segundo qualquer.
Até ao momento, por exemplo hoje de manhã, em que tu estás lá, e deixas de estar logo a seguir. Numa curva do tempo, sózinho como tu estavas, deixaste de existir. Um baque. O carro atirado contra o separador de betão. E tu, como estavas sózinho contigo, deixaste de estar.
Foste notícia de telejornal. Tu não, só a tua circunstância. A circunstância de já não seres.

(Mr. Robinson esmaga o cigarro no fundo do pesado cinzeiro de vidro. Um fio de fumo fica a subir pela sala em direcção ao tecto.
A rapariga da foto olha para uma ausência.
)
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