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memórias de adriano
rosas
innersmile
Aviso às gerações mais novas: li, pela primeira vez, as MEMÓRIAS DE ADRIANO, de Marguerite Yourcenar, quando tinha 27 ou 28 anos. Ainda sinto remorso por todo esse tempo que vivi sem conhecer esse romance.
Um texto do Edmund White acendeu a faísca, e voltei a correr para as MEMÓRIAS. A vantagem de sublinhar um livro, é que o podemos reler através desses sublinhados; e, relendo-o, estamos de igual modo a relermo-nos a nós próprios na época em que o sublinhámos.
Seja porque o quero guardar nesta little box of things precious to my heart, mas seja também porque quando gosto muito de uma coisa sinto uma irreprimível vontade de a partilhar, a vontade de transcrever para aqui largas citações do romance (o romance todo?) é muito grande. Resisto à tentação. Leiam-no. Depressa.
Há em MEMÓRIAS DE ADRIANO (como em todos os grandes romances, todos os grandes poemas) várias camadas sedimentares, onde cada um de nós pode ir buscar aquilo que lhe falta para ser mais completo, mais inteiro, mais feliz.
Mas há um aspecto de alcance verdadeiramente universal. Possivelmente, aquilo que trouxe Marguerite Yourcenar para este romance, e aquilo que nos faz olhá-lo (ler é uma forma de olhar?) de forma tão fascinada e obsessiva (talvez até auto-destrutiva, no sentido em que deixarmo-nos expor completamente é uma maneira de olharmos a nossa própria morte).
Nas notas que acompanham a edição, Marguerite Yourcenar faz referência a uma frase da correspondência de Flaubert: "Não existindo já os deuses e não existindo ainda Cristo, houve, de Cícero a Marco Aurélio, um momento único em que só existiu o homem".
É esse o fascínio absoluto deste livro. Um retrato (ou um relato) do homem sózinho no universo. Do homem desprovido dos divinos adornos que o mascaram e, nessa medida, o tornam mais tolerável para si próprio. Do homem só, em todo o seu esplendor e em toda a sua agonia. Do homem reduzido ao osso daquilo que ele tem de mais precioso: o seu corpo e os outros homens
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