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Looking For Richard + Gohatto/Taboo
rosas
innersmile
Há anos que andava a perseguir LOOKING FOR RICHARD, um filme em tom de documentário que Al Pacino realizou em 1996, e que pretende testemunhar (supostamente, claro) o processo de construção de uma encenação de "King Richard III", de William Skakespeare. Finalmente, surgiu a oportunidade de o vêr, e de o gravar, mas como no pain no gain, a TVI só começou a transmissão às 2 da manhã da madrugada de Domingo para Segunda-feira (estava prometido o início para as 00:45), o que levou o final do filme (tendo em conta um "curtíssimo" intervalo de 20 minutos) para depois das 4!
Mas valeu a pena! Pacino filma o processo de descoberta da peça, da história, das personagens. O fascínio por um autor, e a procura das razões que dão, hoje em dia, sentido ao texto de WS. E como há todo um sistema (dramatúrgico, dir-se-ia; de vida, para ser mais exacto) que se descobre e permanentemente se constrói à volta de Shakespeare.
Depois, há uma mistura de registos que se entrelaçam em processos de mútua procura e revelação: extractos da peça "encenada" ("the juicy bits", claro, nomeadamente os trechos mais famosos e populares, como o inicial "now is the winter of our discontent made glorious summer by this sun of York" e o quase final "my kingdom for a horse"), actores à procura das respectivas personagens, actores a representarem-se a si próprios através das personagens (magnífico Kevin Spacey), autoridades shakespeareanas (Vanessa Redgrave e John Gielgud, mas também alguns académicos) em depoimento directo para a câmara.
E Al Pacino, exuberante e explosivo no seu empenho pessoal e comprometido neste trabalho (mesmo quando resvala um pouco para o cabotinismo, Pacino é ainda admiravel).
Um filme fundamental.

Ontem, num ciclo especial a decorrer no TAGV, a oportunidade de ver outra jóia: Gohatto/Taboo, de Nagisa Oshima (autor de um dos "meus" filmes de culto: Feliz Natal, Mr. Lawrence; por causa do Bowie, por causa do Sakamoto, por causa de tudo), que encena o poder devastador do desejo, mesmo no seio de uma sociedade fortemente regulamentada e formalista como era o das escolas para samurais. A realização de Oshima tem a perfeição, o rigor e a contenção de um poema, onde todos e cada um dos planos, toda e cada uma das vinhetas, é absolutamente essencial para o progresso da acção, bem como para o enunciado da metáfora. O resultado é um filme preciso e rigoroso como a espada do samurai, suave e belo como o seu rosto. A fotografia de Toyomichi Kurita é deslumbrante na sua minúcia de luz e cor. E, sempre ela!, a música encantatória de Ryuichi Sakamoto.
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