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gulbenkian + je ne sais pas grand chose
rosas
innersmile
Durante a semana em que estive fora, soube-o agora, faleceu o presidente da Fundação Gulbenkian, Dr. Sá Machado. Por duas vezes na vida, tive na mão cheques da Fundação. A primeira, há 18 anos, quando estive doente, em Londres, e a Fundação me deu ajuda financeira para fazer face às despesas médicas. A segunda, em 1998, quando a Fundação concedeu bolsas (e contactos) para frequência de estágios profissionais de 3 meses nos Estados Unidos. Das duas vezes, os cheques estavam assinados pelo Dr. Sá Machado. Apesar de não o conhecer pessoalmente, e de saber que das duas vezes o apoio concedido se deveu à acção decisiva de outras pessoas, senti-me como se tivesse perdido um anjo da guarda.

No diário do Casimiro de Brito "Na Barca do Coração", cuja leitura rematei uma destas manhãs (é o que faz ler muitos livros ao mesmo tempo - há uns que ficam em pousio durante semanas, ou mesmo meses), referência ao fascinio que exercem sobre nós as coisas que não compreendemos.
É curioso, que houve uma fase que era vergonhoso confessar que não se percebia, de modo que se fingia que se tinha compreendido tudo (era, por assim dizer, a fase "Godard"!!!); depois houve a fase (cavaquista, digamos assim) em que se desprezava aquilo que não se percebia. Agora estamos na fase (chamemos-lhe a fase "mulholland drive"!) em que é "in" confessar que não se percebeu, mas que se está fortamente fascinado com essa incompreensão!
Apesar deste tiques culturais, é inegável que o misterioso exerce um forte poder de atracção. Quando aquilo que nos fascina é a própria pergunta, e já não a sua resposta.
Como se dizia numa canção qualquer dos Mler If Dada (cito de cor, portanto com risco de falta de rigor): alors ça me fascine parce que je ne sais pas grand chose</i