April 30th, 2002

rosas

Londres

Na sexta-feira, depois de ter estado a actualizar o Lj, saí da Virgin e fui apanhar o autocarro. A paragem do 73 fica mesmo em frente ao Dominion Theatre, onde, no próximo dia 14 de Maio, vai estrear o We Will Rock You, o musical que Ben Elton escreveu a partir de canções dos Queen, uma superprodução caríssima onde esteve envolvida a Tribeca, a produtora do Robert de Niro. Como eu tinha lido que as previews do show tinham começado no dia 24, decidi atravessar a rua e, bingo!, um bilhete para Sábado à noite. O espectáculo é uma fantasia futurista, que mistura uma sociedade dominada por uma corporação da idade da tv digital e da net, e os subterrâneos, onde sobrevivem os bohemians, espécie de rebeldes que trazem consigo a memória da música rock. É que nessa sociedade do futuro, a música uniformizou-se toda, e só existe a música das boys e das girl bands, que, como no anúncio da Vodafone, vestem todos de branco. A peça segue o percurso de um parzinho, o Galileo Figaro e a Scaramouce que, como é lógico, vão destruir a Killer Queen e devolver o rock ao pessoal. O texto é divertido porque está cheio de referências à actualidade (o quartel general dos bohemians fica na estação de metro de Totenham Court Road que fica mesmo à porta do teatro, um dos bohemians, que têm todos nomes de rock stars, é um big bad black motherfucker que se chama Britney Spears, o lugar mítico onde estão guardados os instrumentos musicais dos Queen é o recem fechado Wembley Stadium), e porque, sendo escrito pelo Ben Elton (o tipo que escreveu a maior parte das séries do Rowan Atkinson, incluindo o Mr. Bean), tem muita ironia e humor. Além disso a produção do show é mesmo fabulosa, uma mistura de look retro-rock e futurismo digital. Aliás, da equipa criativa fazem parte 3 tipos que estiveram ligados à concepção de inúmeros concertos, nomeadamente dos 3 últimos dos U2 (e nota-se uma certa semelhança áquela parafernália futurista, sobretudo da Zoo TV Tour). E para além disso tudo, há, claro, a música dos Queen, que ajuda a agarrar de imediato o público. O final é apoteótico, com, de seguida, We Will Rock You, We Are the Champions e a inevitável Bohemian Rapsodhy (de que o Galileo Figaro se vai "lembrando" de frases, cujo significado desconhece, num gozo a uma certa mania que há de tentar adivinhar um significado qualquer mais ou menos esotérico para essa canção). O pessoal todo de pé, como é raro ver-se em Londres, não só por causa do espectáculo em si, acho eu, mas também por causa da emoção de sabermos que eramos das primeiras pessoas que estavam a assistir ao musical. E, além disso, a sala estava cheia de die-hard fans dos Queen, que sabiam ("sabiamos"!) de cor as letras das canções e se portavam quase como se estivessem num concerto.
Na sexta-feira à noite, fui ao the Place ver 3 coregrafias de Russel Maliphant, que é um dos nomes em voga na cena inglesa da dança contemporânea. As peças era um pouco desequilibradas: a primeira parecia mesmo um work in progress ainda numa fase incipiente, e a última, dançada por uma companhia/dupla chamada The Dance Boyz, era empolgante, muito física, movimentada, com muito ritmo.
Mais balanços: comprei uma edição do Corão, um livro da Lea DeLaria (de que eu tinha comprado aqui há tempos um cd muito jazzistico, e que, descobri afinal, é uma butch dyke comedian), a edição de Abril da Details (desde Dezembro que deixei de encontrar a revista à venda em Coimbra - grrrr) e um livro de memórias do S. O'H. 3 cd's: a BSO do Mulholland Drive (só por causa do Llorando, claro), a BSO do Monsoon Wedding e o Gold, do Ryan Adams. A Adriana ofereceu-me ainda uma cópia de um cd dos Bent - Programmed To Love. Dvd´s, comprei dois, numa promoção tipo 'compre um e leve outro de graça': Beautiful Thing, que é uma adaptação de uma peça de teatro que eu vi aqui há uns anos em Londres, e Jeffrey. Não conhecia nem um nem outro, de modo que é um daqueles casos de "a vêr vamos"...

E pronto: Snoopy voltou ao lar! Um pouco contrariado, é certo, mas como dizia o nosso antigo 'primeiro', é a vida