March 27th, 2002

rosas

Amor de Don Perlimplín

Dia Mundial do Teatro.
No Gil Vicente, AMOR DE DON PERLIMPLÍN CON BELISA EN SU JARDIN, de Lorca, pela Escola da Noite. 10 anos depois de A Escola da Noite ter apresentado o seu espectáculo fundador, Amado Monstro, de Javier Tomeo (entrada do diário referente a Sábado, 4 de Abril de 1992: "Na 2ª-feira, fui vêr a estreia de 'Amado Monstro', do grupo (Escola da Noite). Gostei imenso do texto, que achei carregado de humor bem negro. (...). O cenário era um espanto de modernidade e bom gosto. O tema era um dos meus preferidos: mães dominantes. Super-mães. Daquelas que o que gostavam mesmo era de viverem em vez dos filhos, de tal modo sentem em relação a eles uma uma vontade de poder desvairada e sem limites. É curioso como há um amor tão forte, que consegue fundir a submissão completa e o poder absoluto.")
Um espectáculo ao nível e ao estilo que a companhia já nos habituou, apesar de eu, últimamente, ter falhado quase todas as produções. A principal caracerística das peças da EN é conseguir criar encenações ricas (nomeadamente ao nível das soluções cénicas) e imaginativas com meios relativamente escassos (ou, pelo menos, rarefeitos). Tudo isto servido por um evidente rigor na exigente escolha dos textos.
Mas, deste espectáculo, o que permanece é sem dúvida o texto de Lorca. Há na poesia como no teatro de Lorca um sentido poético quase doloroso. A palavra eleva-se a um prazer tão sublime que rasga e fere como o punhal, deixando-nos na boca o amargo doce do sabor do sangue. Tenho que ir descobrir este texto, que não conhecia. Tenho de ler devagar as frases que ficaram a passar esta noite comigo. Uma noite de menta e lápis-lazuli.