March 23rd, 2002

rosas

Small Time Crooks + A Casa do Lago

Ontem à noite, Small Time Crooks, o último filme de Woody Allen a estrear em Portugal, apesar de ser a produção imediatamente anterior ao 'Escorpião de Jade'. Não há muito a dizer, a não ser que Allen está cada vez mais em forma neste seu renascer para a comédia. Este 'Vigaristas de Bairro' tem momentos de pura slapstick, desenfreados e hilariantes. E há qualquer coisa de reconfortante no reconhecimento que fazemos do material alleniano, ainda antes do primeiro plano, com efeito logo no genérico.

Hoje, excursão familiar a Lisboa para ver A Casa do Lago, o último espectáculo do Filipe La Féria, baseado, ou melhor, adaptado do filme que deu os derradeiros oscars a Henry Fonda e à grande grande Katherine Hepburn. Não sou grande admirador do La Féria: há qualquer coisa de "phoney" na sua tentativa de recuperar uma certa tradição do teatro comercial português. Esta peça é um mero veículo para mostrar dois dos nossos maiores actores: Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho (e tratando-se destes dois, já não é pouco), e estou convencido que não seria difícil arranjar um texto mais exigente que servisse esse objectivo. Assim, fica-nos a sensação de que vimos apenas o reflexo do brilho das estrelas, e não a sua luz natural.
Mas dito isto, não significa que não passou por aqui emoção q.b. Tanto quanto me consigo lembrar, foi a primeiríssima vez que vi 'A' Eunice Muñoz ao vivo, e só isso é o bastante para transformar qualquer jornada numa viagem de enriquecimento. Eunice é daquelas raras actrizes cuja presença em palco, cuja VOZ, é suficientemente electrizante e magnética para nos arrancar do anonimato da plateia e tornar-nos no destinatário único do seu jogo. Daqueles casos em que mesmo que o actor se limitasse a subir ao palco e debitar a lista telefónica, isso seria sempre uma aventura. É o fascínio absoluto que só no palco pode acontecer.