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eleições
rosas
innersmile
Discuti, argumentei, participei, apelei, angariei. Não andei propriamente em campanha, mas há muitos anos (talvez desde as primeiras presidenciais do Soares) que não me envolvia tanto numa campanha eleitoral. Praticamente desde a semana imediatamente seguinte às autárquicas de 16 de Dezembro que defini o meu sentido de voto. E achei que ele fazia tanto sentido que não hesitei em tentar convencer os outros. Empolgou-me o desempenho do meu candidato: a minha visão da política é um pouco romântica (talvez porque seja do tempo do fim das grandes causas, ficou-me sempre uma certa melancolia...), e fui sensível ao esforço que ele fez sem nunca perder uma certa coerência (e um certo espírito) que já vai sendo rara. Achei-o corajoso quando fez propostas pouco populares, e honesto quando se pronunciou sobre determinadas questões sabendo que as suas posições não seriam as mais simpáticas para o eleitorado.
Por tudo isto, sinto hoje um leve sabor a derrota. Que vem, além disso, desta consciência de que acabou um tempo em que eu, de alguma forma, e mesmo sendo sempre muito crítico, conseguia compreender os protagonistas. E criticá-los abertamente. E que o tempo que aí vem trará consigo outras pessoas, com quem não me sinto à vontade para dizer o que penso.
Há um aspecto de algum modo positivo: a partir de agora não sinto a mínima obrigação de me solidariezar com o que quer que seja, nem me sinto moralmente responsável quando as coisas correrem mal. O que acontecia até aqui. Havia sempre um certo sentimento de desilusão por ver que, afinal, eram tão maus como os piores. Presos aos mesmos interesses, compromissos e atavismos.
Ou seja, a partir de agora sou menos livre de dizer o que penso, mas mais livre de pensar o que penso.