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eu não sou do leste nem do oeste
rosas
innersmile
A poesia restitui-nos o mundo (ou restitui-nos ao mundo), quando a aridez parece tomar conta do espanto. Há sempre uma nova luz, um novo olhar. Uma nova maneira de tu iluminares os meus passos cegos.

Maria do Rosário Pedreira, A Casa e o Cheiro dos Livros: "...Ainda que quisesse murmurar o teu nome, como / o sol a morder os pátios da manhã, calo-me para sempre. / Esqueço-me talvez de ti, embora secretamente."

Uma poesia abismal, do brasileiro Vicente Franz Cecim: 'Ó Serdespanto'. Cada verso, ou cada frase, parece ser uma primordial revelação. Para ler sempre e devagar.

Mas o coração do dia é para um poema já há uns dias revelado, e que encontrei no diário de Casimiro de Brito (autor, suponho, da respectiva tradução). O autor é Jalal Eddine Rumi (ou Jalal al-Din al-Rumi), poeta persa do século XIII, fundador de uma irmandade mística Sufi que sobreviveu até aos nossos dias. O poema intitula-se O TÚMULO:

"Eu não sou do leste nem do oeste,
não sou do mar nem da terra,
não sou material nem etéreo,
nem composto por elementos.
Eu não existo.
Não sou parte deste mundo nem do outro,
não descendo de Adão nem de Eva
nem tenho outra origem.
O meu lugar não tem lugar, é um traço
de alguma coisa que não tem traço
nem corpo, nem alma.
Pertenço ao bem-amado
e vi os dois mundos reunidos em um só:
o primeiro e o último, o que está fora
e o que está dentro, e tudo é simples
como o sopro de um homem
que respira."