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Mal
rosas
innersmile
Esta entrada só faria sentido se constasse da Françoise Hardy a cantar o 'Comment te dire adieu', do Gainsbourg. Desde que estive a ler o artigo sobre ele que vem na Revista do Expresso, que não consigo parar de trautear a canção. Também podia ser na versão do Jimmy Sommerville, que servia à vontade.

A propósito do Expresso, a revelação (pelos vistos, um daqueles best unkept secret) de que a Susan Sontag e a Annie Leibovitz serem 'a couple' (ao ponto de "terem" uma filha, que a Leibovitz teve aos 53 anos...). Mas realmente faz todo o sentido: quem já viu as luas de Júpiter não andarem juntas? Mas, de alguma forma, o artigo (no suplemento Vidas) não era favorável: muita insistência no enorme poder que elas têm, e de como esse poder, e o dos seus ilustres amigos, as têm posto a salvo das indiscrições dos media.
O meu gosto pelas fotogafias cresceu a ver os trabalhos da Leibovitz na Rolling Stone e na Vanity Fair. É, na minha opinião, uma das boas autoras de 'star portraits', das poucas que consegue tornar esse subgénero da fotografia numa coisa minimamente interessante, para além do mero exercício voyeuristico do star gazing.
Quanto à Susan Sontag, há um certo fascínio que vem de longe, desde os tempos em que 'Illness as Metaphor' me ofereceu um dos primeiros reflexos que me ajudaram a compreender a vida depois do cancro.

É tal e qual como na canção do Gainsbourg: "Sous aucun prétexte je ne veux Devant toi surexposer mes yeux"!

(mais tarde)
Não me lembro da última vez que vi um filme no Gil Vicente, mas há-de ter sido há muitos anos. Hoje voltei a ver lá um filme português, Mal, de Alberto Seixas Santos. Um filme servido por um domínio seguro da narrativa (das narrativas, melhor dizendo, que são várias, cruzando-se umas, paralelas outras) e uma exímia direcção de actores admiráveis (falo de Rui Morrison e do sempre fascinante Alexandre Pinto, mas também da presença mais esporádica, mas não menos impressiva, da Lia Gama), que fala sobre o desencanto e a derrota: dos ideais, das utopias, da dignidade, mas também da vida-ela própria, através dos males (das doenças) que afectam o universo das nossas relações. Um filme amargurado, mas a provar que a tristeza é uma coisa bela.
No fim do filme, um debate no atrio do café com a presença do autor do filme e do crítico João Lopes. Não gostei do discurso de Seixas Santos, demasiado marcado pelo desencanto político e por uma certa reaccionarice de esquerda; os habituais chavões contra o cinema americano, e muita trica sobre o meio cinematográfico lusitano. Ao invés, gostei de ouvir João Lopes, e não apenas por ser um dos meus críticos de cinema preferidos, sobretudo em função de uma certa abertura que revela: mais do que de cinematografias, fala-se de filmes, e do prazer de ver e descobrir (também através da crítica) o cinema. Deu-nos pistas para "explorar" o filme que tinhamos visto, contextualizou o filme e o seu autor, falou, generalizadamente e ao correr da conversa, sobre filmes, cinema e audio-visual.
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