March 3rd, 2002

rosas

A Beautiful Mind

A Beautiful Mind segue à risca os dispositivos clássicos do melodrama made in Hollywood. É um produto de indústria, feito por um artesão dedicado e competente. O que o torna, então, num objecto de indisfarçável fascínio? O corpo de um actor. O olhar ansioso com que perscruta o espaço em seu redor, em busca do primordial mêdo: o de que ele não seja, ou não seja já, quem ele julga que é. O mêdo de estar morto.
Se o Russel Crowe não ganhar este ano o Oscar, por ter ganho o ano passado, assistiremos a mais um daqueles casos em que a verdade não está no momento único em que é revelada.

(mais tarde)
Documentário sobre Pier Paolo Pasolini, santo Pasolini, na RTP2.
Extracto de uma entrevista:
"- Eliminei a palavra 'esperança' do meu vocabulário.
- Vive um dia de cada vez?
- Sim, vivo um dia de cada vez. A esperança é um alibi."