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os que vão enlouquecer te saúdam
rosas
innersmile
Há uma daquelas perguntas de algibeira que é assim: até onde é que um cão consegue correr para dentro da floresta? E a resposta é: até meio, pois a partir de meio o cão já está a correr para fora de floresta. Tu não. Tu já passaste de meio e continuas a correr para dentro da floresta. Continuas-te a embrenhar nela, sempre e cada vez mais fundo, mais afundado. Cavaste a tua própria fantasia e agora não te consegues libertar. Estás prisioneiro de ti próprio, da ficção que inventaste. Já não és tu, mas és a versão de ti próprio que criaste para te entreteres, para te conseguires manter à tona. O que vestes por dentro já não condiz, nem de perto, com o que vestes por fora. Pairas, por dentro, a um metro do solo da realidade e já só sabes respirar nessa atmosfera rarefeita dos teus sonhos. O que no princípio era um kit de sobrevivência ocupa agora toda a tela. O que era um jogo transformou-se numa razão de ser. Estás naquele ponto crítico em que persegues a presa até tomares consciência que a presa é real, está prestes a ser caçada, e nessa altura apercebes-te de que ao sair da tua fantasia, ela deixa de te interessar, e deixa-la fugir. É isso, a realidade fustiga-te como um açoite, e no entanto tu só fantasias com ela. Atingiste o nó górdio da contradição: não aguentas a única coisa que desejas. Não toleras que o que te está ao alcance da mão não seja já uma fantasia, mesmo que seja, mesmo quando é, a única coisa com que fantasias. O teu fantástico desejo tornou-se muito maior do que tu. Inunda-te e extravasa-te. Afoga-te e transborda-te. Tu és mínimo. És uma coisa vazia. Um simulacro. O regresso de uma viagem para onde nunca partiste. O cadáver de um sonho que não sabe que morreu.
Avé escravo, os que vão enlouquecer te saúdam.