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La Stanza del Figlio
rosas
innersmile
Há dois momentos em que o cinema pode ser sublime: quando nos mostra como a vida pode ser e não é, e quando nos mostra como a vida rigorosamente é. La Stanza del Figlio é um desses sublimes momentos, em que vemos devolvida no écran a vida tal como ela é, como é a nossa vida, como somos nós. Que sopro transcendente e fino é esse que anima o barro de onde vimos.
Ok, eu sou suspeito: adoro cinema italiano, adoro os filmes do Moretti. Não vi os seus primeiros filmes, mas tenho visto todos desde Palombella Rossa e é notável como Moretti fez o nosso percurso, o percurso de uma geração (que é a minha e a que a antecedeu), do político para o íntimo, filmando-o, e como é graças a esse percurso, a tudo o que fica em nós dos lugares por onde andámos, que este filme tem uma tranquilidade, uma sabedoria raras: a de que por mais que saibamos e vivamos, há-de ser sempre de perplexidade o nosso olhar quando a vida decide, por um capricho sem explicação, torcer-nos até ao limite do suportável. É uma sequência admirável em que Moretti expõe ao aos perigos do destino todos os membros da família, um a seguir ao outro, para depois nos fazer saber (em mais uma das elipses em que este filme funda a sua narrativa discreta e sensível) sobre quem se abateu o cutelo da anónima e quotidiana morte. E de como o drama se desenrola de uma forma familiar e imparável. De como o nosso olhar de animal ferido é, tantas vezes, a nossa única forma de dizer ao mundo a única verdade que nos queima por dentro.
Que ainda por cima, no meio disto tudo, descubramos canções e trechos musicais que são nossos, só confirma um dos milagres com que, a cada passo, nos surpreendem os filmes mágicos de Nanni Moretti.