February 1st, 2002

rosas

Ontem à noite, ou melhor, hoje de madrugada!, enquanto esperava pelo episódio semanal do meu programa da manhã preferido (estou a falar da Ally McBeal), estive a ver, mais uma vez, o Good Will Hunting, do Gus van Sant. Tenho um fraquinho por estes filmes de iniciação, de, como se diz em hollywoodês (que é a lingua cinéfila por excelência), "coming of age", de que o grande paradigma continua a ser, para mim, o Dead Poets Society (curioso, são ambos com o Robin Williams; porque será?). Não sei bem o que me atrai neles, ou antes, sei, mas não me apetece racionalizar sobre o assunto. Mas são filmes que me deixam sempre um nózinho na garganta, talvez porque o nível emocional seja um pouco primário, às vezes mesmo roçando a lamechice.

Desde ontem que sou proprietário de uma edição em dvd do Blade Runner, um dos meus filmes du coeur. Mandei-o vir da Amazon, e ficou mais barato do que o preço anunciado no site da Fnac! Além disso, encomendei-o no Domingo ao fim da tarde, e ontem já lá estava caídinho na caixa do correio. Quando tudo corre bem, estes tipos da Amazon são absolutamente imbatíveis.

Hoje, aproveitei a hora do almoço e fui à Quarteto. Comprei o último livro do Pedro Mexia, Avalanche, Ou o Poema Contínuo, do Herberto Helder, A Pluma Caprichosa, da Clara Ferreira Alves e um diário do Casimiro de Brito. Claro que isto se deve à minha compulsividade, mais do que a uma necessidade de leitura. Comecei a ler esta semana 2 livros sobre a dupla Gertrude Stein-Alice Toklas, que me vão entreter por uns tempinhos. Um deles, é 'Gertrude and Alice', uma crónica biográfica da autoria de Diana Souhami sobre aquela que foi uma das mais influentes relações no panorama da arte moderna, e da literatura e da pintura em particular, na Paris dos anos 10 e 20 (e que, para além de suave e divertido, contém muitas fotografias, nomeadamente de Man Ray e Cecil Beaton; sim, as meninas eram assim tão importantes; aliás, o who's who não fica por aqui: GS teve o seu retrato pintado por Pablo Picasso). O outro é the real thing: 'The Autobiography of Alice B. Toklas', a autobiografia que Gertrude Stein escreveu na primeira pessoa do singular da sua companheira. É um livro fantástico, percorrido por um humor e ironia subtis (às vezes não tão subtis como isso), que é mais do que o simples relato de uma intimidade.

(mais tarde)
A ouvir o magnífico album 'Da Minha Voz', da Né Ladeiras, que me emprestaram. Tão lindo. As palavras são, a maioria, do Tiago Torres da Silva e a música do Chico César. O disco tem uma atmosfera fora de série, a que não falta o habitual tom esotérico da Né. Cuja voz, se perdeu alguma coisa da claridade que possuia, está no auge da maturidade. Porque é que há tão pouca gente a dar à Né a importância que ela merece e tem.

Estou a escrever sentado na beira do 'maple', dobrado sobre a mesa da sala de visitas onde está o portátil, e com o meu gato deitado em cima dos meus ombros, a ronronar junto ao meu ouvido direito. Todo atravessado, de um ombro ao outro, encostado à minha nuca. Os meus pais não estão cá e o gato, como passa o dia todo sózinho, está com um sério caso de carências afectivas. Coitado. E coitada da minha coluna, a aguentar os 7 ou 8 quilos da fera. Mas não tenho mesmo coragem de correr com ele. Nunca vi um bicho tão mimado e com sintomas tão evidentes de privação afectiva.