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Vanilla Sky+Suicídio+mIRC
rosas
innersmile
Comprido, confuso e estúpido. Foi assim que a Rt classificou o Vanilla Sky, e provavelmente tem razão. E é pena, porque eu tenho muita simpatia pelo Cameron Crowe, e, à partida, uma enorme predisposição para gostar dos seus filmes. Além de que um filme que começa com Radiohead devia semre ser uma coisa especial! Aliás, a banda sonora deste filme é mais um exemplo da razão porque eu gosto tanto do CC: é absolutamente irrepreensível, de um bom gosto perfeito. Além disso, há todo um universo de referências nos filmes dele que são as minhas referências, a cultura dele é a minha, e aquilo que eu mais gostei neste filme (a seguir à BS) é a construção que ele faz de certas cenas com base nessas referências. O pior é que o filme é realmente comprido, muito confuso e totalmente estúpido, naquele sentido em que parece que alguém se entreteve a enrodilhar o novelo só pelo prazer de complicar a vida a quem tem de o desenrodilhar. Há coisas que não fazem sentido, para além de que não se percebe, ou fui eu que não percebi, qual o próprio sentido da história, o que é que se pretende com aquilo. Bom, se alguém está a ler isto e quer ir ver o filme é melhor não ler a próxima frase!!! Mas a verdade é que já não tenho pachorra para ver filmes com gente morta. Puuuhhhrrrrrlease! Os filme deviam vir com um aviso tipo: "this movie contains dead people; please avoid it if dead people bores you to death"; assim a gente já sabia com o que contar.

Num conto apaixonante de título "César prepara-se para morrer", incluído no volume "A Expressão dos Afectos", António Mega Ferreira escreve este parágrafo notável, pondo-o na boca de Júlio César: "O suicídio pode ser uma forma sábia e reflectida de assumir o desespero. Um homem suicida-se porque a honra ou a dignidade lhe falecem, no termo de uma empresa. Mas, nesse caso, ou é uma confissão de impotência ou uma declaração de desistência. Em ambas as hipóteses, o suicídio exprime um absoluta impossibilidade de equilíbrio entre um ser e a sua vida. Se se trata de uma impossibilidade sem retorno, o suicídio é legítimo.".
Vem isto a propósito, não tanto do suicídio de um conhecido meu, e que aconteceu, num gesto de dramatismo acrescido, no primeiro dia do ano, mas antes de uma reflexão que fiz, numa carta escrita muito recentemente, tentando responder à questão: "Estás feliz?". É curioso mas, parecendo à partida uma pergunta de resposta difícil e complexa, é, no entanto, de resposta simples e definitiva. E o que na frase do César me prendeu foi uma das coisas que eu tive subjacente nessa resposta, e que é a questão da impossibilidade sem retorno que legitima o suicídio. A convicção de que mesmo nos momentos de mais desequilibrio e instabilidade, há sempre a possibilidade futura de retorno, há sempre um futuro harmonioso, e, porque não dizer, de "completude" com quem tenho um encontro marcado ali à frente.

Na sexta-feira à noite, farto de andar pelos "usual places" do irc, mudei o nick para 'innersmile', entrei num canal chamado #silence4 e perguntei 'anyone?'. Houve quem reagisse, por não perceber, à pergunta, mas a leave abriu logo um pvt a perguntar se eu era o innersmile do LJ? Foi uma sensação de alegria, de encontrar um amigo num sítio inesperado, apesar de eu ter lá ido com a secreta esperança de encontrar algum dos meus amigos.
Como uma vez, há muitos anos, em Londres, quando o T me foi lá visitar; um dia, eu tinha de fazer e por isso combinámos que nesse dia não nos encontrávamos. Bem, claro que nos encontrámos, numa gare de uma estação de metro qualquer da City, daquelas estações que servem 2 ou 3 linhas, todas com gares diferentes, e em que só nos encontrámos porque eu saí na estação errada de metro e estava a tentar mudar de gare para apanhar outro comboio!
Desta vez não foi assim tão casual, claro, mas a sensação de "encontrar" alguém conhecido num sitio mais ou menos inesperado é sempre reconfortante e aconchegada.
Mas o mais importante foi mesmo que adorei conhecer e conversar com a leave
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