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narrativa
rosas
innersmile
Em Abril de 1907, Jack London responde a um inquérito dirigido a escritores célebres, e destinado a incentivar o aparecimento de jovens escritores. Respondendo a uma das perguntas sobre qual seria a hipótese mais aceitável, JL escreve: "Uma história bem contada com um enredo débil é muito mais aceitável que uma história mal contada com um enredo sólido"
O Alfred Hitchcock, numa citação de cor que, por isso, pode estar ligeiramente deturpada, dizia que é possível fazer um mau filme com uma boa história, mas não se consegue fazer um bom filme com uma má história.
Sem dúvida que sou levado a concordar mais com JL do que com o mestre AH. Aliás, o triunfo dos filmes de Hitchcock está muito mais na narrativa (na maneira de contar) do que na solidez dos enredos, o que, de certa forma, contraria a própria tese do realizador.
Uma das discussões cinéfilas antigas que eu tenho com a M (mesmo quando temos, ou sobretudo quando temos, o Atlântico a separar-nos) prende-se com isso: ela privilegia a história, eu vou sempre atrás da narrativa. Um filme cativa-me se estiver bem contado, mesmo que a história seja débil, ou, no limite, mesmo que não tenha enredo.
Claro que muito desta discussão é uma bizantinice, tipo história do ovo e da galinha. O ideal mesmo é uma boa história bem contada! Mas há, na generalidade, uma certa desvalorização da forma em função do conteúdo que me parece de todo injusta. O poema é belo quando a palavra é de oiro. Quando o que se pretende dizer se cristaliza naquela forma de expressão que, então, lhe passa a dar todo o fulgor. A forma, a palavra, é que dá a beleza e o rigor do diamante ao poema.
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