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mil folhas
rosas
innersmile
Ontem cheguei a casa perto das oito e meia, vim ao LJ por uma entrada sobre o filme do Allen, comi qualquer coisa à pressa e saí para um serão onde era suposto estar às nove e meia. Hoje de manhã li a entrada e está realmente uma porcaria. Coitado do Woody, não merecia. Já não falo nos erros de ortografia que, mesmo sendo fruto da pressa e da troca de teclas, são imperdoáveis. Mas não corrijo, para ficarem a servir de exemplo.
Escrever à pressa é um oxymoron (como é que se chama a esta figura de retórica em português?). O que me leva ao Jack London...

Jack London, numa carta de 12 de Dezembro de 1907: "Se quiseres escrever mesmo, escreve com regularidade, todos os dias. Trabalha durante um tempo previamente estabelecido, ou produz uma quantidade predeterminada, e fá-lo todos os dias. Se não for assim, desiste. Acredita, não há maneira melhor."
Pois, acredito. Sim, eu sei, era o que eu devia fazer. Desistir.

O suplemento do Público Mil Folhas, que sai aos Sábados, devia ser de consulta obrigatória nas aulas de literatura das escolas e liceus, para fomentar o gosto pela literatura e pela leitura. É tão bem feito, tão interessante, tão lúdico e divertido, tão como deviam ser todos os suplementos literários que não há! O de ontem, então, devia ir directo para as mais esplendorosas prateleiras da biblioteca joanina (se é que há por lá alguma prateleira verdadeiramente esplendorosa). No mesmo número: uma recensão a Os Sulcos da Sede do Eugénio de Andrade (onde cometem o bom gosto de achar que este volume contém alguns dos seus mais belos poemas de sempre, o que é verdade, e é a prova de como a velhice e a decadência não podiam ser mais antónimos...), outra à Antologia Poética da Natércia Freire (porque é que há poetas tão lindos, e tão vivos em todos os sentidos da palavra, que permenecem ignorados da moda dos escaparates e dos jornais?; a propósito, nem de propósito: num belíssimo suplemento literário fala-se do livro de uma autora que foi editora, durante décadas, de um dos melhores suplementos literários que já se fizeram na imprensa portuguesa), e ainda uma entrevista ao Mário. Pois, ao Cesariny. Ao de Vasconcelos. Cujo olho nos olha na capa. Esbugalhado o olho e esbugalhados nós. O Cesariny é o olho mais esbugalhado que olha para nós, esbugalhados; não para um nós abstracto, mas para o nós de aqui e agora. E a poesia dele devia pairar, como um monumento voador, por sobre as auto-estradas do país ao sol, por sobre a arquitectura a arder das cidades dormentes.

Amor
Liberdade
Poesia

Era este, na formulação de Mário Cesainy, o programa da Revolução Surrealista, não só para a arte, mas para a VIDA. Por isso MC considera a revolução perdida, soterrada sabiamente pela sociedade. "É a luta desesperada pelo amor, pela liberdade e pela poesia: é isto. (...) - é viver isso, é um bocado complicado, não é?"
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