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opiniões
rosas
innersmile
Num weblog (não, não é de ninguém aqui da casa), depois de dar uma opinião que até era um bocado primária (to say the least) acerca da política, dos políticos e dos partidos, escreve-se qualquer coisa deste género: esta será uma opinião muito desinformada, mas "eu" acredito que toda a gente tem o direito à sua opinião, independentemente da sua dose de conhecimento sobre uma determinada matéria. Aqui é que a porca fica com o rabo completamente torcido...
Se nós achamos que há um assunto que é suficientemente interessante para termos uma opinião sobre ele, o mínimo que podemos fazer é informarmo-nos. Claro que toda a gente tem direito a ter opinião. A questão não se põe ao nível do direito!, mas sim do interesse em ter opinião. Aquela frase, ou a ideia que está por trás dela, contém uma certa arrogância néscia: "eu" não percebo nada sobre o assunto, mas mesmo assim "eu" tenho o direito a ter opinião. Sim, claro, mas se tu não percebes nada do assunto, para que é que eu quero ouvir a tua opinião?
Das duas uma: ou o assunto não me interessa, e eu passo à frente. Ou interessa-me e eu quero informar-me. Não para ter uma opinião, mas sim, muito prosaicamente, para poder pensar e reflectir sobre ele (se acontecer alguém, algum dia, me perguntar a opinião sobre esse assunto, óptimo!), porque acho que o devo conhecer tanto quanto me for possível ou útil.
Palavra que não estou a ser snob nem sobranceiro. Se há coisa que todos temos obrigação de conhecer bem, são os nossos limites, as nossas fraquezas, as nossas faltas e lacunas. E nunca devemos desdenhar daquilo que não conhecemos. Aqui há uns anos (quando Portugal abandonou o campeonato dos países em vias de desenvolvimento e passou a disputar os últimos lugares da liga dos países desenvolvidos) grassou por aí uma arrogância nojenta em relação a tudo o que era cultura e intelectualidade. Fazia-se gala em afirmar publicamente que não se conhecia, que não se lia, que não se ouvia. Felizmente essa mania parece ter acabado: se há coisa verdadeiramente vergonhosa, é termos orgulho na nossa ignorância.
Tive, no liceu, um professor de desenho que era um tipo verdadeiramente desinquietador, provocador. Foi dos professores que mais me marcaram. Passámos o ano a fazer experiências com materiais e to hell com a geometria descritiva e outras coisas do género (lá está: se eu não sei geometria descritiva, porque é que estou a desdenhar? Autocrítica!). Claro que isto só foi possível porque se viviam tempos conturbados, o que, mesmo assim, não impediu que esse professor fosse afastado do ensino. Ainda guardo desenhos e brincadeiras que fiz nesse ano lectivo (primeiro ano do liceu, acho eu, aquilo que será hoje o 7º ano). Mas o que para aqui vem a propósito, é que uma vez andámos a pintar nas paredes do liceu desenhos e frases (ele desenhava, nós pintávamos). Entre as coisas que escreveu, estavam estas frases, que eu palavra que nunca esqueci, mas que só tenho na memória, por isso admito que pudessem nem ser bem assim:
aquele que não sabe que sabe, é ignorante
aquele que sabe que não sabe, é sábio.