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Ocean's Eleven
rosas
innersmile
O Steven Soderbergh é um daqueles realizadores que aposta tudo na narrativa, na maneira de contar a história. Ocean's Eleven é muito mais do que uma reunião de alguns dos mais populares actores do actual cinema americano. É um divertimento suave e cool em que o realizador se delicia a contar uma história como se desenrolasse um novelo, ou melhor, como se desenrolasse vários novelos. A expressão que falta aqui é "unfold". O filme como que se vai desdobrando, espalhando-se como um puzzle que vai tomando conta da mesa à medida que vai ficando maior, mais completo, com mais sentido. De certa forma, este filme é a versão ligeira de "Traffic", como se Soderbergh tivesse ficado com vontade explorar este tipo de narrativa, liberto da economia séria daquele filme.
Claro que os actores ajudam. Clooney nunca esteve tão bem, mas corre o risco de ser cada vez mais ele próprio em vez das personagens, o que, como se sabe, é a primeira porta do cabotinismo. Pena Matt Damon não aparecer mais; o registo "tenso" que utiliza para caracterizar a sua personagem é das coisas que dão gozo ver. Andy Garcia é um dos melhores actores da actualidade, mas parece que há poucos realizadores a dar por isso; o seu Terry Benedict é uma composição ao nível do Padrinho III. Os secundários estão todos ao nível (destaque para o Carl Reiner, que é um grande realizador de cinema, sobretudo de comédia). O Brad Pitt é aquela coisa: não há meio de me convencer, fico sempre à espera de mais. Julia Roberts faz uma aparição (aquilo não chega a ser uma personagem), que ajuda a compor o ar sedutor do filme.
O plano final do filme, com os personagens a separarem-se para seguirem os seus diferentes caminhos depois de uma missão bem sucedida, é antológico.
São horas de prazer, como diz o outro (adoro estes filmes cool; desde o "Thomas Crown Affair" que não havia tanta suavidade junta...)
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