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estratégias oblíquas
rosas
innersmile
Ontem tinha aqui uma entrada toda linda, cheia de links e itálicos, e, quando já ia em grande, o Netscape crashou e foi tudo à vida. É uma coisa que passa a vida a acontecer. Se calhar devia mudar de browser, porque eu acho que estes crashanços hão-de ter a ver com incompatibilidades entre o Netscape e o Windows (coisas do Bill; é por essas e por outras que o rapaz anda sempre metido em tribunais: "juvenile deliquency..."). Mas gosto tanto de usar o Netscape...

O Brian Eno é um dos meus gurus, e não apenas em termos de música. Acho que ele personifica, de certa forma, o artista estilo renascentista desta época de revolução tecnológica que estamos a atravessar e que não sabemos muito bem no que vai resultar (nota para mais tarde: se calhar, o que é novo nos tempos que correm, é que, ao contrário do tempo histórico em que as revoluções tecnológicas se faziam por saltos, vivemos já num tempo de revolução contínua; daí a constante sensação de incerteza e a necessidade de constante adptação às alterações circundantes... será assim?).
No livro A Year with swollen appendices, o BE desenvolve uma interessante teoria dos eixos, que diz que todas as dicotomias com que nos deparamos, não são verdadeiros opostos, mas sim as extremidades de um eixo. Tipo: se numa extremidade está o negro e na outra o branco, nós situamo-nos ao longo de um eixo, somos as várias tonalidades de cinzento que se produzem ao longo desse eixo. Esta teoria pode ser aplicada a tudo e tem duas vantagens, para mim, muito importantes: primeiro, ajuda-nos a situar as coisas, a dar-lhes um valor relativo, a descategorizá-las de uma espécie de absoluto em que temos a tentação de as colocar. Depois, diz-nos que que tudo aquilo que nós julgamos que nos opõe, que nos antagoniza, não são mais do que os pontos extremos de um continuum que nos liga e, nessa medida, nos aproxima.
Lembrei-me disto a propósito de um post, creio que da a_n_i_e, em que dizia, mais ou menos, que tinha tomado a resolução de não cometer os mesmo erros. Eu lembrei-me de que, se calhar, há uma outra perspectiva sobre o assunto: se passarmos a vida a cometer os mesmos erros, sempre tem a vantagem de já os conhecermos e de sabermos lidar com isso; quando cometemos um erro novo precisamos de gastar energias e esforços a aprender a lidar com esse erro (já descontando o tempo perdido a chocarmo-nos com as consequências do erro que cometermos; e, claro, o tempo que demoramos a admitir que cometemos um erro!), o que, de certa forma, é um contra-senso.
Claro que isto dito assim, soa a blague, mas o que está aqui fundamentalmente em causa é a nossa eventual capacidade de dirigir as nossas próprias vidas (de forma, por exemplo, a não cometer sempre os mesmos erros). E a teoria dos eixos entra aqui: entre o caos do absoluto acaso (as coisas acontecem por força de um qualquer arbítrio que de todo não dominamos) e a ordem rigorosa de um determinismo voluntarístico (a minha vida sou eu que a faço) não há uma verdadeira dicotomia, mas um eixo contínuo onde nos vamos situando conforme podemos. Que esse eixo possa ter a imagem de uma corda bamba, ou do fio da navalha de Maugham, só dá maior interesse ao exercício.
Bom, mas aqui chegado, só apetece perguntar: so what? Much ado about nothing? Pois, possivelmente. Mas, como disse, uma das vantagens da teoria dos eixos é ajudar-nos a perspectivar as coisas...
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