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livros 2001
rosas
innersmile
Dos quase 100 livros que comprei o ano passado, muito do melhor foi poesia. A Rosa do Mundo, que, muito mais do que um livro, é uma verdadeira biblioteca. E não apenas de poesia. E foi o último projecto de Manuel Hermínio Monteiro, que amou e deu a conhecer a poesia de uma forma inédita no portugal de hoje.

Alta Noite em Alta Fraga, de Joaquim Manuel Magalhães, foi, porventura, o mais interessante livro de poesia que eu li o ano passado. A descoberta de uma voz e um olhar decisivos sobre o tempo de agora e o lugar de aqui. E não há poesia mais intemporal do aquela que questiona de forma tão radical, o tempo e o lugar do poeta.

Pedro Mexia, com Em Memória, foi outra revelação.

E Adilia Lopes, mais do que uma descoberta, foi um caso.

E, ainda na poesia, houve revisitações importantes: O'Neill, Al Berto, Sebastião Alba, Kavafys, Natércia Freire, foram alguns dos poetas que viveram comigo durante o ano que acabou. E que foi, mais uma vez, um ano Eugénio de Andrade, com um novo livro e poemas novos, Os Sulcos da Sede.

Fora da poesia, o acontecimento marcante do ano foi o Diário do Christopher Isherwood, que me habitou durante muitos meses e de um modo muito forte, ao ponto de lhe ter sentido a falta, física, material, quando terminei. E foi ainda importante porque, por linhas nem muito travessas, me trouxe aqui ao LJ.

Outro livro que me marcou muito foi O Navio-Farol de Blackwater, de fez entrar o Colm Tóibín para a galeria dos meus autores.

E o Edmund White também andou por aqui. E O Samuel Steward, que me levou até à Gertrude Stein, o que já não foi pouco. E houve um Armistead Maupin novo (porque não se publica em portugal a série de novelas Tales of the City, que são o retrato mais divertido de uma certa América de final dos anos 70 até princípos de 90?) E Como Ler e Porquê, que é o Harold Bloom a ensinar-nos a ler e a amar os autores.

E houve Fernanda, de Ernesto Sampaio, que é um objecto único, cintilante como se diz das estrelas que possuem luz própria, e que fala sobre os dois únicos temas sobre que se escrevem livros.